Erguendo a cabeça do SER CRUZEIRENSE


Agosto e outono rimam entre si, mas nenhum deles rima com Cruzeiro. Entretanto, os dias de cada dia levam a pensarmos em rimas sem síncopes, porque o pulmão, o coração, o fígado e a alma do Cruzeiro devem continuar, passam os homens e os nomes, mas a marca Cruzeiro deve esticar seu passo.

Esticar o passo implica ter energias, estar forte, sentir o sangue nas veias transitando sem medo. Mas implica também pensar, perceber os passos dados, refletir para corrigir. E Cruzeiro hoje não está forte, suas energias estão fracas, dentro e fora de campo.

O Cruzeiro precisa de líderes em ambos os campos. Líderes que abracem a bandeira e saiam pela rua gritando ‘quem quiser que me siga’. Esse alguém não é nem mais nem menos que o presidente do clube, e todos nós deveremos resignar aspirações e aceitar o convite.

Vocês dirão que é loucura, mas tenho a sensação que o Cruzeiro se paralisou no tempo e no espaço, engolindo-se a si próprio a gordura acumulada nos anos 90 e remoendo seu fígado com um discurso autossuficiente que se perde irremediável na história.

DIRETORIA DO CRUZEIRO: acabou a zona de conforto, promova líderes

E dentro de campo, também está faltando liderança. Liderança com amor próprio, que vista a camisa e leve o grupo à vitória. Não vejo isso em ninguém com autoridade suficiente para dizer ‘quem quiser que me siga’. Há muitas formas de enfrentar a batalha e Celso Roth é quem deve encontrar a melhor estratégia para cada jogo. Talvez ele até fale de estratégia, mas tática com time sem autoestima não combina, vence sempre, de maneira certeira esta última.

JOGADORES DE CRUZEIRO: vocês não são cruzeirenses, ganham por um trabalho que deve ser feito em equipe e exige sucesso, escolham líderes e apoiem até o último minuto sua palavra, que será a palavra de todos.

E nas arquibancadas também devemos passar o outono. Porque torcida não rima com outono. E torcer é alegria, felicidade, momento de lazer e descanso. Triste saber que torcedores saem de casa pensando que X ou Y vão jogar mal. Hoje o Cruzeiro precisa de torcedores, não de comentaristas ou experts de futebol. Aquele que bota a camisa e grita ZEROOOOOOOOOOOOO, ZEROOOOOOOOOOOO desde que entrou no estádio até o apito final do juiz. Primeiro, será mais feliz; segundo, ajudará os jogadores dentro de campo; terceiro, não sustentará a mídia que ganha grana com a tristeza dos outros.

TORCIDA DE CRUZEIRO: torcer ganhando, com bons jogadores em campo, gritando olé, é fácil. Isso não é de torcedor, é de simpatizante. Torcer, TORCER, é apoiar incondicionalmente O CLUBE, não os jogadores. Lembrem que ninguém é torcedor de Fábio, Diego Renan, Montillo, Wallyson, Wellington Paulista… Eles irão embora, e nós seguiremos gritando ZEROOOOOOOOOOOOO, ZEROOOOOOOOOOOO.

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Foto: Douglas Patricio