Carta a Tiago


Caro Tiago, hoje o Cruzeiro jogou. E ganhou, como sempre. Não foi o futebol bonito, nem convincente, bem menos tranqüilo. Foi aquela coisa que você já conhece, sofrida, apertada, mas até aguerrida. Foi uma vitória  bacana, que nos deixou mais perto do objetivo principal, que é o campeonato brasileiro.

Eu queria que você estivesse aqui para ver esse momento de êxtase e euforia dessa nação que você tanto abrilhantou, por tantos anos. Mas, coisas da vida, há dois anos você deixou nosso mundinho mixuruca para assistir ao maior de Minas de cadeira cativa, com os grandes. Por aqui muitos comemorarão. Dizem até que vai rolar caravana pro Engenhão (a galera ficou animada!! Ao infinito e além)… mas sem você tudo isso perde um pouquinho da graça.

Hoje se completam dois anos que você, Tiago, cruzeirense exemplar, síntese do nosso espírito guerreiro, raçudo, não está mais entre nós. “Engraçado… os bons morrem jovens”, e é verdade.  As estrelas aqui brilham como nunca, mas é estranho tentar entender que você tem que brilhar como sempre em outro céu. O mundo amanheceu triste, mas o infinito estava azul, e estava sorrindo. Você já sabia, desde o princípio, que haveria a vitória, né? Você sempre sabe.

E por aqui a gente vai indo. O Mineirão está fechado, mas não há reforma que tirará dele a tua presença e o amor do teu coração por esse time que tantas alegrias te deu. Você não estava aqui para ver as tristezas libertadorísticas que passamos, mas eu sei que não sofremos sozinhos. Quando a derrota vem, quando tudo o mais dá errado, a gente se apóia naquilo que você representou – para o mundo e para o Cruzeiro – para refletir e entender: tudo tem saída, e o melhor está por vir.

Mas hoje, Tiago, a vitória foi para você. Aperta, suada, mas na raça. Na vontade. Na gana. Com aquela garra que só você teve, para enfrentar o que só você enfrentou, e deixar o “eu consegui” com uma cara muito característica sua: “a fé que você deposita em você e só”.

A vitória foi para você, e de onde você estiver, sei que está iluminando, com essa sua estrela que nunca se apaga, as nossas cinco. Há dois anos o mundo perdia um cruzeirense que todos os cruzeirenses gostariam de ser. Mas a eternidade ganhou um anjo que o Cruzeiro jamais sonharia em ter, por ser muito bom para esse mundinho desimportante do futebol, e muito maior que qualquer história, de qualquer time.

A vitória foi para você, guerreiro. Porque isso aqui é Cruzeiro, isso aqui foi teu, isso aqui é teu e sempre será. E a cada dia de vitória, lembraremos do teu sorriso, que é o que nos move no horizonte. A vitória foi pra ti não apenas porque hoje você não está entre nós, mas porque você foi tão combatido quanto nosso Cruzeiro. E, não importa o que pensem aqueles que não acreditam, mas, também, jamais vencido.

Descanse em paz, guerreiro. Por aqui a gente vai tentando realizar teus sonhos. E eu sei que, de algum lugar, você nos dá aquela ajudinha para que realizemos os nossos também. Os bons morrem jovem, é fato. Mas você, Tiago, é tão imortal quanto o Cruzeiro. E, hoje, mais celeste do que nunca. 

Tiago Vieitas – 26/3/84 – 12/9/2008