Sada Cruzeiro, contra tudo e todos


Assim como no futebol o vôlei do Cruzeiro entra em quadra para ser campeão. Vencer é a sina de quem coloca no peito as cinco estrelas do maior de Minas. O primeiro jogo da semifinal da Super Liga  contra o Vôlei Futuro mostrou que vencer será difícil, mas o coração do cruzeirense é acostumado, há 90 anos, a conquistas suadas, no peito e na raça. A repercussão do jogo da última sexta-feira em Contagem, mostra que chegar a essa final vai ser uma guerra.

Foto: GDG - Douglas PatricioEm nota oficial divulgada pela assessoria de impressa da equipe paulista em 04 de abril a diretoria expôs sua indignação e repudio às manifestações da torcida celeste durante o jogo em relação ao atleta Michael. Também reclamou de falta de segurança e que profissionais dessa área estariam embreagados. Esse fator extraquadra pode tornar o próximo jogo que é naturalmente difícil em uma batalha ainda mais dura.

Acompanhei a primeira partida em casa pelo canal Esporte Interativo e confesso que ao perceber os gritos de “bicha” e “gay” toda vez que Michael ia para o saque me incomodaram muito. Pensei que tais gritos seriam ouvidos apenas nos primeiros minutos do jogo e que depois as músicas cantadas nos estádios pelas organizadas, tomariam conta da quadra tornando o espetáculo mais bonito, mas me enganei.

Fiquei incomodada com os gritos porque preconceito, racismo e homofobia me causam asco, independente a quem o ato seja endereçado. E quando percebi que as manifestações não parariam pensei: “Por que uma torcida que odeia ser chamada por adversários com apelidos diminutivos insiste com isso?”. Sei que a maioria dos torcedores que estavam lá são ligados ao futebol e que em campo esse tipo de atitude é comum (Richarlyson sabe bem como é), mas eu, como torcedora e admiradora do esporte, reprovo essa atitude em qualquer modalidade.

Por outro lado, após ler a nota do clube paulista e as declarações do atleta Michael, devo concordar que a manifestação da torcida alcançou o resultado esperado. O jogador disse que sentiu-se incomodado e rendeu menos que poderia. Não assisti outros jogos do Vôlei Futuro e por isso não sei dizer se outras exposições similares aconteceram. Porém, controlar qualquer tipo de expressão verbal seja qual for a torcida é impossível.

Entendo a insatisfação de Michael e concordo com seu direito de tornar público seu descontentamento, mas acho que a diretoria da equipe aproveitou de um fato particular para tirar proveito e criar um clima ruim para os atletas do Cruzeiro no segundo jogo. Duvido que algum profissional envolvido no evento de Contagem estivesse alcoolizado. E questionar as declarações dos atletas celestes após o jogo onde eles agradeceram e elogiaram sua torcida é demais. Quero ver como vão segurar manifestações agressivas por parte da torcida de Araçatuba, porque com certeza haverá nela torcedores que acompanham também o futebol. E aí?

Acredito que dirigentes e atletas do Vôlei Futuro estão fazendo tempestade em copo d`água, desviando o foco e tentando ganhar o próximo jogo no grito, ou melhor, no tapetão. Que coisa feia. Se não suportam pressão mudem de área e vão jogar peteca ou bocha. Se querem ganhar do Cruzeiro que seja em quadra.

Quanto a encaminharem ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) relatório sobre o jogo é um direito que o clube tem, mas é bom lembrar que outras equipes jogaram no mesmo ginásio sem manifestar qualquer tipo de reclamação e que, naquela partida, representantes da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) estavam presentes e nada relataram contra a equipe mineira. O que de fato acontece é que William, Serginho, Douglas, Leo, Felipe, Wallace, Acácio e os jogadores reservas do Sada Cruzeiro são melhores que Ricardinho, Michael e cia. Aposto na conquista da vaga para a final em terras paulistas, contra tudo e todos.