Rápido & Rasteiro: Taça Brasil igual ao Brasileiro


HÁ UM DITADO MUITO ANTIGO QUE diz o seguinte: “Três é sinal de forca”. O que tem ele a ver com o Rápido & Rasteiro…??? Tudo a ver, meus amigos, pois as categorias da base azul-estreladas decidiu nada menos do que três  competições, conquistando o vice em duas e um campeonato, em decisões por penal.
 
SÓ TEM QUE A PRINCIPAL, NÃO DESPREZANDO outras duas, aconteceu no início da noite de ontem e valeu o bicampeonato brasileiro da categoria sub-20, disputada no Rio Grande do Sul. O Cruzeiro conquistou o segundo título de forma invicta e absoluta, com o melhor ataque, 17 gols, e o craque da competição o baixinho-bom-de-bola Thiaguinho.
 
NUMA DAS DISPUTAS, O CRUZEIRO SE DEU ao luxo de emprestar um time inteiro, uma categoria abaixo, ao Nacional, de Nova Serrana, conseguindo segurar o zero-a-zero com os arqui-rivais até o final, perdendo o título nos penais. Isso, entretanto, não tira o valor dos garotos azul-estrelados, que mostraram, como nunca, a garra que, até bem pouco tempo, não figurava como característica de nossas equipes.
 
PARABÉNS AOS DIRIGENTES DE NOSSAS categorias de base, que têm mostrado muito bons serviços, apesar de perder alguns títulos. O mais importante, posso dizer com toda a segurança, é que o clube tem muita gente para aparecer no time principal em futuro muito próximo.
 
Tostão beija a taça do campeonato de 1966 - Foto: Divulgação/InternetMUDANDO DE PAU PRA CAVACO, COMO SE DIZ no interior do Estado, não sei por que esse povo polemiza sobre o reconhecimento de competições de âmbito nacional que foram disputadas quando não havia o denonimado “campeonato brasileiro”, ou quando o mesmo não aconteceu.
 
É CLARO, É LÓGICO E EVIDENTE que me refiro, principalmente, à Taça Brasil, ocorrida entre 1959 e 1968, tendo como primeiro campeão o Bahia, da Boa-Terra, e o último o Pinga-Fogo, do Rio. O Cruzeiro foi o vencedor do título de 1966, em cima de um timeco chamado Santos Futebol Clube, que tinha em seus quadros jogadores de pouca expressão como Pelé, Carlos Alberto, Pepe, Coutinho, Gilmar & Cia Ltda.
 
BRINCO AO CHAMAR O SANTOS DE TIMECO E SEUS jogadores de pouca expressão só para sacanear alguns coleguinhas da imprensa que, morrendo de inveja e dor-de-cotovelo, dizem que o time da Vila Belmiro e sua principal estrela estavam decadentes. Estavam, pois sim…!!!
 
A CBF, CASO CONFIRME O QUE SE ESPERA HÁ 44 anos, não faz mais do que sua obrigação, pois não se pode entender que fixem o ano de 1971 como o da existência do futebol em território brasileiro, bem como neguem que o Santos tenha sido campeão da Libertadores e Mundial sem conquistar um “brasileiro”.
 
SÓ MESMO QUEM NÃO ENTENDE DE HISTÓRIA pode admitir uma aberração dessas. Seria a mesma coisa desprezar que o Brasil, nosso país amado, não pode ser chamado assim por ter passado por nomes como Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, entre “otras cosítas más”. Independentemente do nome tenha recebido ao longo da história, ele agora é chamado de Brasil.
 
JÁ FALEI SOBRE ISSO EM OUTRAS COLUNAS, MAS NÃO custa repetir para que os desavisados possam informar-se. A Taça Brasil foi criada por imposição da Confederação Sul-Americana, pois era o único membro daquela entidade a não ter um torneio de âmbito nacional  para escolher a equipe ou equipes que disputariam a Taça Libertadores da América.
 
E O CRITÉRIO PARA PARTICIPAR DA TAÇA BRASIL não era político, e sim, os campeões e vice estaduais, muito embora guardasse aberrações como o fato de times do Eixo do Mal entrarem em fases mais adiantadas, privilégio que permitiu a hegemonia santista que, ao perder o título para o Cruzeiro de Raul, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes & Cia, não conseguiu faturar o hexacampeonato.
 
CASO SEJA CONCRETIZADA A UNIFICAÇÃO DAS COMPETIÇÕES de âmbito nacional, ficando de fora a Copa do Brasil, por ser paralelo com a principal competição brasileira, vou poder comemorar como, em parte, uma vitória minha, pois desde que comecei a escrever a coluna Rápido & Rasteiro, no extinto e assassinado “Diário da Tarde”, sempre defendi o seu enquadramento como Campeonato Brasileiro, principalmente porque não havia competição dessas na época. A Taça Brasil era única e, portanto, com envergadura de disputa nacional.
 
SÓ NÃO CONCORDO COM O FATO DE alguns coleguinhas endossarem reivindicação de reconhecimento de um tal de campeonato de campeões de 1937 como campeonato brasileiro. Primeiro, porque foi disputado, se não me engano, por apenas quatro equipes, escolhidas por terem sido campeãs. Segundo porque, se tivesse seqüenciado, pode até ser a postulação viesse a ter respaldo.
 
CONCORDO MUITO MENOS COM O ARGUMENTO no mínimo esquisito, sacado da manga por conhecido funcionário de uma emissora de rádio, de que o tal campeonato dos campeões é tão importante que consta do hino do TSQQT. Baseado nisso, daqui a pouco, então, vão requerer mais uma estrelinha amarela para jaulinha, já que o inexistente campeonato do gelo também está no hino deles.
 
ORA, MEUS AMIGOS DO ESPORTE DAS “MULTIDÃOS”, como dizia o saudoso Olavo Leite Cafunga Bastos, goleiro daquela época, vão encher os hinos dos clubes com toda sorte de disputas, torneios caça-níquel, de confraternização de fim de ano, de solteiros e casados, e assim as camisas ficarão parecendo farda de general cinco-estrelas…!!! Essa foi demais para o meu pobre colesterol, pois mais importante do que aquele torneio, não estou postulando tratamento de brasileiro para nossos quatro título da Copa do Brasil…!!!