Cabral: o maestro


Num ano irregular, podemos destacar, ainda que em pouca quantidade, alguns destaques que se mostraram bem úteis. O principal deles, na minha opinião, é o argentino Ariel Cabral. O volante, que mais parece meia, chegou quieto, sem alardes. Em um de seus primeiros jogos, contra o Palmeiras, finalizou uma oportunidade na pequena área adversária com a canela. Pensei: “mais uma bola fora da diretoria”.

Aos poucos fui repensando minha opinião, tendo em vista que o jogador passou praticamente um semestre sem jogar, por estar afastado do elenco do Velez, clube que passava por momento político difícil. Coloquei na balança este fato, junto ao fato de que tínhamos um time completamente irregular, com um treinador que não treinava. Mais difícil ainda o seu encaixe no elenco estrelado.

Aos poucos Cabral foi ganhando forma e ritmo de jogo. Com isso sua capacidade foi saltando aos olhos do torcedor cruzeirense. O estilo discreto, com passes e lançamentos refinados, são características que caem bem no gosto do torcedor cruzeirense. O futebol do argentino me lembra bastante o de duas peças-chave para o sucesso do Cruzeiro em 2003: Wendel e Martinez. Principalmente o segundo.

O argentino, com jeito de mineiro, que faz mais do que fala, tem como posição o famoso “terceiro homem do meio campo”. Volante que não tem como característica principal a marcação. Meia que não tem como característica principal a chegada ao ataque. Qual seu papel no meio campo celeste?

Cabral é o ponto de equilíbrio do time. O termômetro que está no lugar certo no momento certo. Não é de fazer muitos desarmes, mas, por estar sempre bem posicionado, faz boas interceptações que geram bons contra-ataques. Seus passes e lançamentos precisos encontram espaços invisíveis para um jogador “normal”.

Cabral não é um jogador indispensável, mas também não é dispensável. É peça chave, que não parece ser tão exigido. É um paradoxo. Fato é que o jogador faz um estilo que nos agrada, pois sabe tratar a bola quando a tem nos pés. Só de ver jogar, já sabemos que não é um jogador meia boca. E para jogar no Cruzeiro, meu amigo, o cara tem que saber das coisas.

Por: Luciano Batista