Sobrou futebol, faltou o gol (Cruzeiro 0 x 0 Grêmio – Campeonato Brasileiro 29ª rodada)

Willian: do céu ao inferno, de queridinho à odiado

Tu tá maluco, respeita o moço, patente alta, dá aula, é bigode grosso”! Quem não lembra do hit da funkeira Mc Marcelly que bombou entre os cruzeirenses em 2013? O verso era cantado pela torcida do Cruzeiro sempre que Willian, vulgo ‘bigode grosso’ fazia gols. Foi assim durante 2013 e 2014, anos em que o nosso time se sagrou campeão brasileiro.

Envolvido em uma troca com o inoperante Diego Souza, Willian chegou no segundo semestre de 2013 com certa timidez. Sua estreia foi contra o Atlético-MG, em uma partida que jogávamos contra os reservas do rival. O atacante foi se soltando aos poucos, e rapidamente roubou a vaga no time titular que até então era de Luan. Em sua segunda partida como titular, contra o Flamengo, o jogador marcou seu primeiro gol garantindo sua titularidade de vez, mais tarde caindo na graça dos torcedores. Jogando pelo lado dos campos, aproveitou o fato de que Dagoberto, que também brigava pela posição, não conseguia ter uma sequência de jogos. Com isso, Willian terminou o ano em alta. Para muitos torcedores foi uma tacada de gênio de Alexandre Mattos.

Em 2014, o início de ano não foi tão bom para Willian. Entretanto a relação com a torcida era das melhores. Mesmo com um rendimento aquém do esperado -em junho – a torcida incendiou as redes sociais pedindo sua permanência. O resultado deu certo e parece que animou o atacante, que no segundo semestre melhorou bastante, mesmo não tendo tanta efetividade frente ao gol.

No ano seguinte, o Cruzeiro perdeu muitos jogadores. Talvez a pior perda foi a saída do diretor Alexandre Mattos, que rumou para o Palmeiras. Com o clube nas mãos do presidente Gilvan, o futuro era incerto e, principalmente, na primeira parte do ano, não tínhamos certeza se teríamos uma temporada consistente. Willian já não aparecia tanto, não chamava a responsabilidade para si e poucas vezes o víamos como merecedor da titularidade. Nas mãos de Marcelo Oliveira até tinha vaga cativa entre os onze, mesmo não tendo um bom desempenho. Com a demissão do treinador, a titularidade do jogador até foi ameaçada. Mas mesmo assim, poucas vezes estava entre os suplentes. Com a ignorância tática de Luxemburgo, rapidamente o ‘pofexô’ foi demitido. Seu lugar foi ocupado por Mano Menezes.

Com o Cruzeiro sob o comando de Mano o time mudou totalmente. O técnico fez um trabalho incrível tirando a equipe da luta contra o rebaixamento e levando à briga pela Libertadores. O alicerce do time na ocasião tinha nome: Willian. O “moço do bigode” começou com tudo e aquele funk citado anteriormente voltou a ser entoado no Mineirão junto com a alegria no rosto cruzeirense. Bigodes voltaram a serem comercializados, enquanto Willian faltava fazer chover nas partidas. No primeiro jogo com o treinador mostrou seu cartão de visitas fazendo logo de cara 4 gols. E não parou por aí! Ajudou o time e foi o principal jogador na segunda parte da temporada.


COM MANO MENEZES

15 partidas

11 gols


Entretanto, como diz o ditado: “tudo que é bom dura pouco”. Mano Menezes foi embora rumo ao futebol chinês no fim do ano. Junto ao treinador parece que foi toda a habilidade do ‘bigode grosso’. O atacante, mesmo com crédito com torcida e diretoria deixou de encantar. A sua função tática era diferente, jogava com a 9, e mesmo sem ser centroavante tentava, sem resultados, desempenhar a função. O trabalho de Deivid não mostrou resultados e a passagem foi curta. Com Paulo Bento aconteceu a mesma coisa. O português até tentou utilizar Willian: sem resultados.

“Se tudo que é bom dura pouco”; “Tudo que vai volta”. ‘Ditados à parte’, Mano Menezes voltou ao comando celeste e a pergunta ficou no ar: “Será que Willian voltará a jogar bem?”. Ele já tinha demonstrado ser um jogador inconsistente e irregular, afinal, sempre aparecia bem na segunda metade da temporada, porém, corriqueiramente, fazia uma péssima primeira parte. Alguns apostavam tudo nele.

Mesmo com Ábila começando a destruir dentro das quatro linhas, em sua primeira partida na volta ao time, Mano bancou Willian como titular. A partida de estreia em sua segunda passagem foi contra o Santos. Na rodada anterior, Willian até tinha feito gol. Porém na partida contra o clube praiano o desempenho foi terrível: perdeu a bola 6 vezes, poucas finalizações, mais faltas que desarmes. Sendo assim, Mano preferiu apostar no atacante argentino, o que parecia mais consistente e com mais chances de dar resultados positivos. O que no fim, deu certo, e Willian perdeu de vez sua titularidade.

Com Mano Menezes no comando, nesta temporada, o bigode provou que nem tudo que vai, volta. Seu futebol está perdido no espaço. Para quem gosta de usar estatísticas como fator primordial em uma análise, verá com mais nitidez o quão abaixo está o desempenho do avançado.

Em 44 partidas disputadas, apenas 7 gols feitos. No Campeonato Brasileiro, só 4. A inconsistência ofensiva também ficou muito visível após a partida de ontem, contra o Sport. Os gols perdidos foram reflexo de toda uma temporada. Em 54 finalizações dadas no Brasileirão, apenas metade foram rumo ao gol; na outra metade, apenas 4 entraram. Para se ter ideia, no Brasileiro da temporada passada, com o mesmo número de partidas (30), Willian já tinha mandado 11 bolas para o fundo das redes. Além disso tinha dado três assistências para gols.

Se em 2014, a torcida pedia a permanência dele no Cruzeiro, criando até tags, a atual temporada reflete o que a torcida quer do Willian. As tags que pediam a permanência do jogador hoje pedem desesperadamente sua transferência. A paciência acabou. Willian precisa provar em 4 partidas, se realmente vale a pena continuar vestindo a camisa azul. Confiança do treinador ele tem. Da torcida, nenhuma.


NÚMEROS DE WILLIAN PELO CRUZEIRO

174 partidas

38 gols

86 vitórias

39 empates

49 derrotas

Maior jejum: 19 partidas sem marcar

Maior sequência de gols: 3 partidas sem passar em branco


 

Por: @victornpaixao