Tríplice Coroa

Tríplice Coroa do Cruzeiro

A China Azul estava em êxtase graças às últimas conquistas do seu time. Em 1996, após a final contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, a torcida recebeu os vencedores, que voltavam da capital paulista, em numero recorde nas ruas da cidade. O carro de bombeiros que levava os jogadores bicampeões estava rodeado por mais de 100.000 fanáticos cruzeirenses.

No ano seguinte a final do Campeonato Mineiro contra o Villa Nova entrou para a história ao receber o maior público do Mineirão em todos os tempos: 132.834 torcedores estiveram presentes para ver o time da casa ganhar por 1 a 0, com gol de Marcelo Ramos. Na ocasião, o clube fez uma promoção que dava entrada franca para mulheres. Do público presente 52.950 foram de mulheres e crianças que não pagaram ingresso. A Polícia Militar ainda calculou que havia mais de 20.000 torcedores que acompanhavam a partida do lado de fora do estádio.

Em 1999, o time foi goleado pelo mesmo Palmeiras, pelas quartas–de–final da Copa Mercosul. Apesar do resultado adverso a torcida compareceu em peso no jogo da volta. Mais de 60.000 pessoas pagaram ingresso para ver o time da casa que venceu por 2 a 0. Outras marcas memoráveis foram registradas ao longo da década de 90, como o jogo da volta pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1996, onde quase 70.000 pessoas viram o time vencer a Portuguesa por 1 a 0, mas foi desclassificado, pois perdeu por 3 a 0 na partida anterior. Dois anos depois, em um jogo contra a mesma Lusa, agora pelas semifinais do Brasileirão, a massa azul-celeste lotou o Gigante da Pampulha: mais de 90.000 pagantes para ver o time derrotar o adversário e seguir para a final contra o Corinthians.

O último triunfo do século veio contra o São Paulo, na disputa do tricampeonato da Copa do Brasil, em 2000. O time estava desmotivado, pois havia perdido duas finais naquele ano, justamente para os rivais da capital: o Mineiro, para o alvinegro e a Sul – Minas, para o América. O primeiro jogo terminou empatado em 0 a 0, no Morumbi. O segundo foi mais uma demonstração da capacidade de reação dos jogadores. O adversário marcaria aos 30 da etapa final, mas a Raposa virou com gols de Fábio Junior e Geovanni, de falta, no último minuto de jogo.

Nos dois anos seguintes o clube conquistaria duas Sul – Minas, em campanhas que deram origem a uma adoração à um atleta nunca antes vista em Minas Gerais. A torcida adotou o argentino Sorín como um dos maiores ídolos de todos os tempos, o maior desde Joãozinho e o mais adorado estrangeiro da história do clube. O jogador chegou em 2000, em uma parceria com a Hicks, que ajudou o Cruzeiro a adquirir o lateral ao River Plate por 5 milhões de dólares, a maior do futebol mineiro até então. Ele marcou o gol da vitória contra o Atlético Paranaense, pela final da Sul – Minas, mesmo com a cabeça enfaixada, graças a um corte que levara durante o jogo. Ainda declarou amor ao Cruzeiro dizendo que jamais jogaria pelo rival alvinegro.

Tríplice Coroa

A maior conquista do clube veio em 2003. O time ganhou o Brasil. No mesmo ano levou o estadual, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, o primeiro de pontos-corridos, que premia aquele com a melhor campanha, conquistando então a Tríplice Coroa.

Tantos títulos vieram graças a organização e perseverança de todos os envolvidos: a diretoria, os jogadores, a comissão técnica e a torcida. O melhor técnico foi contratado: Wanderley Luxemburgo, que montou um time matador, com craques como Alex (que jogou um futebol inimaginável para a época, o melhor meio de campo do futebol brasileiro dos últimos anos), Deivid e Luisão, passando por bons jogadores como Cris, Maldonado e Leandro, até chegar em nomes desconhecidos como Mota, Wendel e Augusto Recife, que mostraram muito bom futebol, graças ao entrosamento do grupo.

Em 2004 o time ganhou mais um estadual em cima do rival Atlético, mas em 2005 viu o título do Mineiro ficar com o novato Ipatinga, na época com apenas 7 anos de existência.

De lá pra cá o time conquistou dois estaduais, o mais marcante em 2008. O título foi marcado pela goleada histórica em cima do Galo: 5 a 0, a maior da era Mineirão.

A China Azul, acostumada a ganhar títulos importantes, está um pouco carente desde 2003, ano da última grande vitória azul-celeste. Em certos momentos teve que se contentar apenas com o rebaixamento de rivais. Nos últimos 5 anos foram apenas duas participações em Libertadores. Nas duas vezes o time foi eliminado nas oitavas-de-final: em 2004 e em 2008. A última, contra o Boca Juniors, contou com o maior público desde o jogo contra o Paysandu, em 2003, que marcou a conquista do título nacional. Na época estiveram presentes quase 80.000 pessoas no Mineirão, no limite da capacidade máxima do estádio. Contra os argentinos foram quase 70.000, também no limite de torcedores, graças a redução da capacidade com a colocação de cadeiras nas arquibancadas. A Raposa foi eliminada, mesmo com a ajuda vinda dos cruzeirenses presentes.

Apesar disso o time mostra que tem capacidade. Sem dúvida é o melhor desde 2003 e segue em busca do tricampeonato da Libertadores e do bi do Brasileirão. Nada mais justo para um clube tão vitorioso como o Cruzeiro.