Tamanho é documento?

A torcida cruzeirense tem discutido muito nas redes sociais sobre a altura do novo zagueiro do clube, o equatoriano Luis Caicedo. Com algumas fontes mostrando que o beque mede 1,85m e outras discordando, apontando 1,78m. Analisando o vídeo dos testes físicos realizados por Caicedo e o outro contratado, Diogo Barbosa – que mede 1,79m, me parece que o central tem uma altura muito similar a do ala ex-Botafogo (conforme a foto acima). Mas desde quando ter um zagueiro com menos de 1,80m representa efetivamente um risco para o clube?

Desde nunca, é a resposta. É óbvio que um zagueiro alto atrai mais atenção por parte dos adversários, especialmente na bola aérea. E é também lógico que a estatura faz com que um atleta precise de menor esforço e impulsão para alcançar determinadas bolas e fazer cortes no sistema defensivo. Mas existem diversos zagueiros “baixinhos” por aí que sempre se deram muito bem. Lembremos que o jogo aéreo não é uma simples contabilidade sobre quem é o maior. Posicionamento, senso de antecipação, tempo de bola e velocidade são requisitos essenciais para a tarefa.

No exterior, temos exemplos como o colombiano Iván Córdoba, de 1,73m e com mais de 10 anos de serviços prestados à Inter de Milão, além de uma vida dedicada à sua seleção, inclusive como capitão. Córdoba marcou (de cabeça) o gol de seu país no título da Copa América de 2001. Atualmente, Mascherano, do Barcelona e da Argentina, um volante que foi adaptado para o miolo de zaga e sempre se destacou, apesar dos 1,74m. Gamarra, paraguaio de grande destaque no futebol sul-americano não chegava aos 1,80m. Carles Puyol, eterno capitão do Barcelona, ergueu todas as taças possíveis pelo seu clube e seleção com apenas 1,78m…

Exemplos temos aos montes. Aqui mesmo no Cruzeiro: Cris, Cléber, Célio Lúcio, Gelson Baresi, Gottardo, Marcelo Djian e tantos outros, se destacaram e conquistaram títulos mesmo não sendo gigantes. Em outros tempos, os 1,75m não impediram Piazza de se tornar um imortal na Toca da Raposa. Nem os 1,79 de Perfumo. No elenco atual, Manoel se mostra o defensor mais confiável do time, desde 2015, com 1,81m. Léo, de contrato renovado, mede 1,84m e os grandalhões são Dedé e Fabrício, com 1,92m.

Portanto, peço apenas que cobremos o jogador pelas atuações, sem criar celeumas desnecessárias com esse tipo de detalhe. Em 2016, contamos com alguns zagueiros de porte físico avantajado e mesmo assim sofremos diversos gols, seja na bola aérea ou com falhas bizarras de grandalhões como Bruno Rodrigo e Bruno Viana. Na verdade, gostei muito da contratação de Caicedo, por ser um defensor rápido, que se notabiliza por marcar os adversários em cima e sai muito para dar o bote. O que vem para completar uma lacuna do elenco e dar opções para que Mano monte sua defesa pensando em cada adversário.

O futebol evoluiu. Evoluamos também nós, meros torcedores, corneteiros profissionais. E que também paremos de dar espaço para brincadeiras e comentários sobre o nome do jogador, afinal Caicedo é um sobrenome tradicional no país e nada tem a ver com rebaixamento (fosse ele contratado por certos rivais, a brincadeira até faria sentido). Que nosso novo central, nosso novo lateral e quem mais se juntar ao plantel celeste tenha vida longa e bem sucedida no Maior de Minas. E que o nosso 2017 seja grandioso, não necessariamente na altura, mas nas conquistas.

Por: Emerson Araujo