Tá em crise? Chama o Atlético!

Tá em crise? Chama o Atlético! (Cruzeiro 2 x 1 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 10ª rodada)

O Cruzeiro entrou em campo, mais uma vez, pelo Campeonato Mineiro e, mais uma vez, manteve a invencibilidade na temporada. Todavia, nesta oportunidade, a equipe celeste venceu e convenceu: com gols de Thiago Neves e Arrascaeta, bateu o Atlético-MG por dois tentos a um. O bom resultado faz com que a equipe espante as nuvens negras que apareceram na Toca da Raposa após três empates consecutivos, e faz com que a equipe ganhe moral para os confrontos em mata-mata que virão na sequência deste pesado mês de abril.

O jogo

Nada resume tão bem a partida quanto o bordão do ilustríssimo narrador Galvão Bueno, usado, geralmente, nos jogos entre Brasil e Chile, um histórico rival mas que, na maioria das vezes, tem a função de levantar a seleção canarinha, mesmo que esta não esteja em boa fase. O Cruzeiro entrou pressionado pelo torcedor, que cobrava uma boa atuação da equipe. No primeiro ataque, deu a resposta esperada. Mano Menezes armou a equipe à sua maneira, dando a posse de bola ao adversário e abusando dos contra-ataques e das jogadas em velocidade. Alternando a linha da equipe, que em alguns momentos pressionava os laterais do Atlético, mas em outros recuava para seu próprio campo defensivo, o técnico celeste conseguiu fazer com que o Cruzeiro tivesse volume de jogo, mesmo com menor tempo de posse de bola. No segundo tempo, a equipe continuou com domínio do jogo e ampliou o marcador. Não sofreu durante boa parte dos últimos 45 minutos, e acabou diminuindo o ritmo. Ao final, em uma bobeira do sistema defensivo, o adversário marcou o seu gol e exerceu alguma pressão, mas não foi o suficiente para que a vitória escapasse das mãos da equipe celeste.

Primeiro tempo

O Cruzeiro começou arrasador. Logo no primeiro ataque, Diogo Barbosa roubou a bola de Marcos Rocha, tabelou com Sóbis e entregou para Arrascaeta, que serviu Thiago Neves, que colocou no fundo das redes. Após o gol, o Cruzeiro conseguiu neutralizar todas as ações ofensivas do adversário. A única chegada com perigo do Atlético foi em uma bola parada: cobrança forte de Otero, para bela defesa do goleiro Rafael. Um outro destaque, porém negativo, fica para o atacante Fred. O atacante atleticano deferiu um soco no rosto do zagueiro Manoel, dentro da área celeste, sendo corretamente expulso pelo árbitro. Agora é hora de vermos como vai se portar o Tribunal de Justiça Desportiva neste caso. O que houve foi uma agressão, e merece ser punida como tal, exemplarmente. No mais, o Cruzeiro chegou ainda por mais algumas vezes, mas falhou tanto na escolha do melhor passe, quanto na finalização. Ariel Cabral chegou a marcar, após assistência de Rafael Sóbis, mas estava em posição irregular.

Segundo tempo

A segunda etapa começou com o Atlético tentando sair para o jogo, já que estava atrás no placar. Mas logo o Cruzeiro, novamente, tomou as rédeas da partida. Não demorou e Arrascaeta, após receber passe de Thiago Neves, mostrou que a sua estrela, de fato, brilha ainda mais em clássicos: gol, festa da China Azul e 2×0 no placar. A equipe celeste, novamente, estava melhor em campo, mas diminuiu o ritmo, já que o Atlético também não oferecia perigo.

Após as substituições, entretanto, a equipe começou a sofrer mais do que deveria. Ábila substituiu Rafinha, que estava cansado, e não foi bem. O centroavante não tem a mobilidade que Sóbis tem à frente da área, o que faz com que a equipe se torne mais previsível. Além disso, o camisa 9 não conseguiu segurar uma bola no setor ofensivo, um papel importante para um jogador da sua posição. A entrada de Lucas Silva no lugar de Ariel Cabral, de igual forma, diminuiu a intensidade da equipe. O argentino, às vezes muito questionado, vem atuando bem, sendo um dos jogadores mais regulares do elenco celeste em 2017. Lucas Silva entrou e deu duas cochiladas: na primeira, Elias mandou na trave; na segunda, o mesmo Elias marcou e diminuiu. Percebe-se porque Mano Menezes opta por manter o camisa 5 no time titular: a presença dele trás mais equilíbrio ao sistema defensivo, além de qualificar a saída de jogo. Ao final, muita pressão por parte do Atlético, que chegou a ter um gol bem anulado a menos de um minuto para o término da partida. Todavia, não foi o suficiente: os três pontos foram garantidos, e o tabu mantido – agora, são sete jogos de invencibilidade sobre o rival.

FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 2 X 1 ATLÉTICO-MG

Data: 01/04/2017 (sábado).
Horário: 16h (de Brasília).
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG).
Público: 35.459 pagantes.
Renda: R$ 1.000.426,00
Árbitro: Igor Júnio Benevenuto (MG).
Assistentes: Felipe Alan Costa e Ricardo Júnio de Souza (ambos MG).
Cartões amarelos: Ariel Cabral, Diogo Barbosa, Ezequiel, Rafael Sóbis e Rafael (CRU) Marcos Rocha e Elias (CAM)
Cartão vermelho: Fred (CAM)
Gols: Thiago Neves a 1 minuto do primeiro tempo; Arrascaeta aos 13 e Elias aos 42 minutos do segundo tempo.

CRUZEIRO: Rafael; Ezequiel, Léo, Manoel e Diogo Barbosa (Fabrício, aos 25 do 2º); Hudson, Ariel Cabral (Lucas Silva, aos 13 do 2º), Rafinha (Ábila, aos 33 do 2º), Thiago Neves e Arrascaeta; Rafael Sóbis.
Treinador: Mano Menezes

ATLÉTICO-MG: Giovanni, Marcos Rocha, Leonardo Silva, Gabriel e Fábio Santos; Rafael Carioca, Elias, Otero (Marlone, aos 16 do 2º) e Cazares (Luan, aos 41 do 1º); Robinho (Rafael Moura, aos 31 do 2º) e Fred.
Treinador: Roger Machado

O Cruzeiro volta a campo nesta terça-feira, contra o Nacional-PAR, pela Copa Sul-Americana. A partida é no Mineirão, e é de fundamental importância que o torcedor compareça e faça a mesma festa que fez hoje.

Vamos, Cruzeiro!

Até a próxima, Guerreiros.

Por: Pedro Henrique Paraíso