Retrospectiva 2015: Do inferno ao céu

Salve, Nação. A última semana de dezembro e, conseqüentemente, a última semana do ano, apresenta através dos meios de comunicação as famosas retrospectivas com os principais acontecimentos do ano que se finda.  Hoje, reúno aqui 11 fatos que, a meu ver, marcaram e tiveram peso no 2015 do Cruzeiro.

  • Saída de Alexandre Mattos e desmanche no elenco: Com o fim da temporada de 2014, Alexandre Mattos em conflito com o presidente Gilvan deixava o Cruzeiro e seguia para o Palmeiras. Durante todo o mês de dezembro, Mattos esteve “trabalhando” para as duas equipes. A base do time Tetracampeão Brasileiro foi desfeita. Alguns dos principais jogadores, como Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, deixaram o clube em janeiro e a partir daí, veio a difícil missão de remontar uma equipe vencedora.
  • Valdir Barbosa e Benecy Queiroz: Com a saída de Alexandre Mattos, a busca pelo diretor de futebol acabou com o cargo sendo distribuído entre Valdir Barbosa, Benecy Queiroz e também ao presidente Gilvan. Era nítido que o trio não sabia o que fazia ali. Entrevistas e informações desencontradas, contratações inúteis… Tremenda bagunça instaurada dentro do Cruzeiro.
  • A barca: Em meio à pressa e desorganização, o clube tentava se estruturar, mas contratações como Riascos, Joel, Henrique Ceifador, Felipe Seymour, Paulo André, Leandro Damião, Mena, Fabiano e Douglas Grolli não passavam confiança para a torcida. Em meio a inúmeras informações vazadas, a diretoria anunciou De Arrascaeta e deu ao garoto status de craque. O tempo passou e, nem reforços, nem diretor de futebol apareceram. A bagunça estava consolidada.
  • Fracassos: O primeiro semestre foi um fracasso. O ex-treinador Marcelo Oliveira apesar de tamanho profissionalismo, não parecia tão motivado assim como nos dois últimos anos. Insistiu em manter o esquema que levou o Cruzeiro ao Tetracampeonato, mas era impossível repetir a receita com ingredientes diferentes. O time não se acertava em campo e os resultados não apareciam. Dificuldades de classificação na Libertadores e derrapadas no Campeonato Mineiro preocupavam a torcida e desgastavam o trabalho de Marcelo. Fomos eliminados do Estadual nas semifinais para o Atlético e, vexatoriamente, deixamos a Libertadores em confronto com o River Plate, após vencer no Monumental de Nuñez e acabarmos atropelados no Mineirão. O primeiro semestre estava na lixeira e Marcelo Oliveira fora do Cruzeiro.
  • Retrocesso: Com a saída de Marcelo Oliveira em junho, o Cruzeiro anunciou Vanderlei Luxemburgo. O treinador como sempre chegou cheio de discursos prontos e prometendo o título Brasileiro. No início, conseguiu três bons resultados (incluindo a vitória no clássico, no Independência), mas que logo foram mascarados pela falta de treinamentos e profissionalismo do “Rei do Poker”. O medo e risco da série B era real.
  • Sub-rendimento: Apesar da saída do treinador Marcelo Oliveira e de alguns jogadores chave, era absurdo ver como alguns atletas não eram sombra do rendimento de outros clubes ou de temporadas anteriores. Jogadores como Mayke, Fábio, Henrique, Bruno Rodrigo e Marquinhos tiveram momentos de rendimento pífio durante 2015. Enquanto alguns se recuperaram, Mayke, por exemplo, terminou a temporada como terceira opção para a lateral, atrás de Ceará e Fabiano. Como o experiente camisa 2 deixou o clube, o jovem deverá receber novas oportunidades.
  • Isaías Tinoco: Em agosto, a pedido de Vanderlei Luxemburgo o Cruzeiro contratou Isaías Tinoco para o cargo de diretor de futebol. O currículo com passagens desastrosas por Vasco e Guarani de Campinas e a amizade das mesas de cassino com Luxa, eram pontos contra o diretor. Por três meses Tinoco permaneceu aqui e pouco fez. Apenas Marinho foi contratado. Por outro lado, Tinoco era de poucas entrevistas, mas, em uma entrevista ele cavou sua saída do clube. Em total desconhecimento da história, afirmou que a torcida do Cruzeiro não era a maior do Estado. O inferno estava feito!
  • Saindo do fundo do poço: Setembro foi o mês de libertação para o Cruzeirense que tanto clamava por mudanças após a eliminação na Copa do Brasil e os péssimos resultados no Brasileirão. As saídas de Luxemburgo e Tinoco representaram o fim do medo do descenso para a série B. Bruno Vicintim assumiu a vice-presidência de futebol e trouxe Mano Menezes já visando à temporada 2016. Deivid até então auxiliar técnico de Luxemburgo, passou a ser auxiliar fixo do Cruzeiro. Aos poucos ficou nítido que faltava treinamento. A equipe não era fantástica, mas haviam peças que podiam ser melhor trabalhadas;
  • Torcida: E como nunca antes na história, a torcida abraçou o clube e foi o décimo segundo jogador em campo. Os gritos de “zêêêrôôô” até hoje ecoam pelos arredores do Gigante da Pampulha.
  • Thiago Scuro: Com a chegada de Vicintim, o clube foi atrás de um diretor de futebol. Depois de inúmeras entrevistas e análise de perfil. Thiago Scuro foi anunciado como novo diretor de futebol. Sérgio Rodrigues que antes cuidava dos negócios internacionais, passou a incorporar o departamento de futebol no cargo de superintendente de futebol.
  • Tranquilidade e planejamento: A temporada terminou com o clube vivendo dias de paz. A classificação na Libertadores escapou entre os dedos, mas a base de trabalho permaneceu para 2016. Mano Menezes seduzido por oferta milionária deixou o Cruzeiro e foi rumo a China. Deivid que até então ocupava o cargo de auxiliar fixo, foi efetivado como treinador e montou sua própria comissão técnica visando planejar a temporada 2016 ao lado da comitiva celeste. Pedrinho ex-jogador e Geraldo Delamore foram anunciados como auxiliares e Alexandre Lopes como preparador físico. 

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O ano de 2015 foi como uma montanha russa, cheio de altos e baixos e que, graças ao comprometimento e seriedade de Bruno Vicintim, dos jogadores e de toda a comissão técnica, terminou da melhor maneira possível. Para 2016, vejo um Cruzeiro diferente. Com uma filosofia de trabalho interessante. Tratar o clube como empresa é uma assertiva para a saúde fiscal do Cruzeiro.

Hoje vejo gente competente, séria e comprometida trabalhando firme pelo Cruzeiro. As negociações estão sendo feitas com cautela e análise, jogando todos os DVD’s no lixo. As expectativas são as melhores possíveis, afinal, onde a semente é bem plantada, os frutos não demoram a aparecer.

Por: Simon Nascimento