Rafael e Fábio: desempenho x história

Salve, China Azul!
 
A vitória sobre o Sport, na Ilha do Retiro, fez com que as chances de rebaixamento do Cruzeiro fossem a praticamente zero. O aproveitamento apenas do segundo turno permitiria à equipe celeste brigar por uma vaga à Taça Libertadores de 2017, mas, devido a um tenebroso primeiro turno, a metade da tabela é uma realidade dura, porém confortável. A mudança de postura da equipe nesta metade final do certame passa por dois fatores: o encaixe do técnico Mano Menezes, que deu um padrão tático à equipe, é um deles. Todavia, o mais importante é a melhora do desempenho de alguns jogadores fundamentais. Dentre eles, um “coadjuvante” se destaca. De apenas sombra ao goleiro Fábio, Rafael virou sinônimo de segurança no gol celeste.
 
Rafael assumiu a titularidade no Cruzeiro na 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, na partida contra o Santa Cruz. Até então, o Cruzeiro havia sofrido 33 gols em 19 aparições do titular Fábio na meta, sendo que em apenas dois jogos a defesa celeste havia saído sem ser vazada. Lucas França assumiu a posição, enquanto Rafael se recuperava de lesão, participou de 3 partidas e sofreu 2 gols. Com Rafael embaixo das traves, a equipe sofreu apenas 9 gols em 14 partidas, sendo que em oito jogos a defesa celeste saiu sem tomar gols. Conta a favor do camisa 12 as duas defesas de pênalti neste Brasileirão, contra o São Paulo e o Vitória, ambas fora de casa.
 
Rafael tem sido decisivo em jogos importantes, principalmente, com intervenções difíceis e saídas seguras do gol. A falta de confiança de grande parte da torcida celeste foi por terra nas primeiras atuações do novo titular. Rapidamente, o contestável reserva se tornou um dos principais nomes da arrancada celeste para longe da zona de descenso. As suas atuações trouxeram um questionamento: assim que Fábio voltar de lesão, quem deve ser o goleiro titular do Cruzeiro?
 
Sinceramente, não queria estar na pele do Mano Menezes neste momento. Apesar do excelente momento de Rafael, Fábio é ídolo de grande parte da torcida, além de ser o jogador com mais partidas na história do clube. Sacar um nome de tamanha importância do time titular pode ser um tiro no pé, tanto no relacionamento com a torcida, quanto no relacionamento com a imprensa. Entretanto, apesar de todos os pesares, Rafael seria minha primeira opção para a meta celeste, mesmo com Fábio no auge da sua forma física. Convenhamos, a fase do experiente goleiro não é das melhores há algumas temporadas, com poucas intervenções difíceis e sofrendo gols em lances, no mínimo, defensáveis. Talvez não haverá um outro momento tão propício para o camisa 1 passar o bastão para o seu substituto.
 
Só o tempo para dizer o que essa possível mudança traria a todos os envolvidos, tanto para Mano, quanto para os dois diretamente envolvidos. Os números e estatísticas estão do lado de Rafael, a história está do lado de Fábio. Uma pena, entretanto, que a história não entre em campo. É hora de olhar para o presente. E para o futuro.