Quem vai ficar com a 6?

No futebol, é inegável que todas as posições tem papel fundamental para o bom funcionamento de um time. Entretanto, os laterais podem ser considerados elementos de importância um pouco maior, especialmente no futebol brasileiro. Se analisarmos o esporte jogado na Europa, os defensores que atuam pelo lado se atentam primeiramente às obrigações de marcação, relegando a ajuda ao ataque a um papel secundário. Mas aqui no Brasil, raramente vemos torcedores ressaltando a boa marcação de um ala. A grande crítica é que “o lateral não sabe cruzar”.

Bem, precisamos desmistificar algumas coisas. O bom cruzamento é sim um fundamento destacável nos grandes laterais do futebol mundial. Mas na situação atual, em que os jogadores de talento acima da média rumam rapidamente para o Velho Continente, devemos adequar nossas ambições ao que o mercado oferece. Infelizmente, não podemos ter aqui o Marcelo, titular há 10 anos do Real Madrid. É um jogador acima da média e que soube se aperfeiçoar no momento defensivo, tornando-se hoje, inquestionavelmente, um dos melhores laterais do mundo. As opções celestes são bem mais modestas.

Bryan e Edimar já estavam no clube em 2016. E não encheram os olhos em nenhum momento. Após se destacar no América, Bryan chegou ao Cruzeiro para tentar tomar conta da posição no Maior de Minas. Mas os constantes lapsos de concentração e um suposto problema com a balança fizeram com que a aposta virasse problema. Edimar veio para resolver e até fez um bom trabalho defensivo, em um primeiro momento. Com o time se acertando e nosso nível de exigência subindo, o atleta mostrou deficiências técnicas alarmantes, tanto na parte ofensiva quanto defensiva.

Ciente dos problemas, Mano Menezes pediu a chegada de um novo ala e o Cruzeiro trouxe Diogo Barbosa, de relativo destaque no Botafogo. Pelos jogos que vi, um jogador que lembra um pouco o Egídio pela presença ofensiva e até a capacidade de marcar alguns gols. Mas não é uma sumidade na marcação e no posicionamento de defesa. E durante a última semana, Fabrício veio para completar a disputa pela camisa 6, após um semestre emprestado ao Palmeiras, onde quase não jogou. Atleta com alguma qualidade técnica, o grande problema de Fabrício é a cabeça. É quase impossível confiar em seu equilíbrio. E os adversários sabem tirar proveito disso.

Descarto aqui Mena e Pará, outros laterais com vínculo junto ao Cruzeiro que não estão trabalhando com o grupo principal. O que mostra que a disputa é acirrada, mas que poderia ser ainda mais. Entre os quatro nomes, acredito que apenas um sairá do Cruzeiro, e aposto em Bryan. Posso imaginar que um ano como titular em algum time de Série A faria bem ao ex-jogador do América, visando mais maturidade e experiência de jogo. Edimar já passou dos 30 anos, não tem muito mais o que aprender. Diogo Barbosa é a principal aposta para o momento e tem boas perspectivas de ser titular.

Talvez o único jogador que possa roubar a vaga entre os 11 de Diogo é o reintegrado Fabrício. Em 2015, teve atuações regulares com Mano e parece ter prestígio com a chefia. Pela possibilidade de jogar também como volante ou como um meia pela esquerda, vejo Fabrício como a certeza de integrar o plantel durante a temporada. Seja qual for a escolha do treinador, que não esperemos nada de excepcional. Nada de expectativas demasiadas, o melhor é esperar o time jogar e ver quem consegue se firmar como o dono da camisa 6. Qual o seu preferido?

Por: Emerson Araujo