Quem te viu e quem te vê... Foto: Leonardi/Lancepress

Quem te viu e quem te vê…

Quem te viu e quem te vê... Foto: Leonardi/Lancepress

Há dez anos, exatamente no dia vinte e nove de março, o Cruzeiro iniciava sua trajetória em direção ao título do Campeonato Brasileiro. Não pretendo aqui discorrer sobre a campanha ou a história daquele ano pelo simples fato de todos os cruzeirenses saberem de cor e salteado os fatos ocorridos naquela ocasião. Na verdade a intenção da crônica de hoje é fazer um contraponto entre aquele campeonato e o atual por alguns motivos: o primeiro deles, é que a inovação dos pontos corridos contrariou muita gente, inclusive a “dona” do espetáculo, a Rede Globo, que até hoje manda mensagens de forma velada durante as transmissões; o segundo, é que times acostumados ao peso das finais viram mais dificuldade em voltar a vencer a competição e é exatamente sobre isso que vamos argumentar.

Meu entendimento sobre a fórmula de disputa dos pontos corridos sempre foi claro, o melhor time é sempre campeão (à exceção de dois mil e cinco). Defendi muitas vezes essa fórmula de disputa antes mesmo de a CBF acenar com a possibilidade de promover a mudança. Mas essa ideia é simplista demais se observarmos que “o melhor time” se faz pela soma de vários fatores: estrutura do clube, montagem de elenco e entendo por elenco um grupo coeso e com foco, a presença maciça da torcida em seus jogos de mando e o respaldo de uma direção firme que trabalhe nos bastidores para que problemas extra campo não atrapalhem o trabalho de quem faz o show, os jogadores. O Cruzeiro entendeu esses conceitos em dois mil e três e foi campeão com sobras atingindo cem pontos, cento e dois gols, conquistando a taça com várias rodadas de antecedência.

Então choveram reclamações de que o campeonato era “sem graça”, que o bom “eram as finais” e muitos não viram a oportunidade que esse advento trazia: a possibilidade de estruturação dos clubes brasileiros. Quem pensava há dez anos um brasileiro disputado por nomes como Seedorf ou Forlan? Quem imaginaria alguns clubes no Brasil vencendo o embate contra os europeus para repatriar ou manter jogadores de renome jogando aqui, como o Cruzeiro fez com o Dedé? É isso, amigos, parece que aquela estruturação exigida pela fórmula dos pontos corridos vai sendo percebida cada vez mais pelos clubes brasileiros.

O Cruzeiro, o primeiro campeão da era dos pontos corridos, parece estar à frente mais uma vez nesses assuntos, pois ativou com sucesso seu programa de sócio obtendo a adesão maciça de sua torcida com números que crescem diariamente, está incansavelmente trabalhando para reforçar seu elenco para esse ano, que já é muito bom. Os frutos já estão sendo colhidos, pois na primeira das trinta e oito batalhas até o título, massacrou o Goiás por cinco a zero. Nossa responsabilidade fica aumentada sabendo que outros clubes estão percebendo isso e tudo indica que, quem almeja o título esse ano terá que suar muito a camisa. Em minha opinião, temos totais condições de brigar pelo caneco esse ano, porque os fatores supracitados estão fazendo parte da história do Maior de Minas, incluindo o apoio do torcedor. Vamos continuar #fechadosComOCruzeiro e que dezembro chegue logo…

Saudações Celestes