Para que time você torce - Cruzeiro Esporte Clube

Para que time você torce?

Para que time você torce - Cruzeiro Esporte ClubeCruzeiro Esporte Clube

Como virar esse jogo

Para que time você torce? Cada vez mais nas escolas, clubes e shoppings podemos ver crianças usando camisas do Barcelona, Milan, Real Madrid, Bayern, Chelsea e outros times. É fácil ir a um shopping de BH em um domingo à tarde e contabilizar que o número de camisas de times estrangeiros é tão grande ou maior que as camisas dos times “daqui”.

A TV a cabo e a Internet nos trouxe o dia-a-dia do Futebol europeu. Hoje é mais fácil ter notícias do Real Madrid do que do Cruzeiro. Sabemos mais sobre o esquema do Barcelona do que como Marcelo Oliveira escala o time.

Fora a TV a Cabo e a Internet, de uns anos para cá, surgiu outro “inimigo” para os times brasileiros. Um inimigo que fica na sua sala de TV, é visto na mesma TV do seu Pay-per-view, e nele, mesmo na sua casa, o Cruzeiro não está entre as primeiras opções de escolha.

A turma quer jogar com os melhores do mundo, não quer ter problemas para escalar o meio campo, quer meter logo um time com Messi, Ribery ou Falcão Garcia, um desses 3 com estatísticas acima de 90 pontos. Falei grego? Pois é, esses são os melhores jogadores do FIFA 2014 que chegou aos videogames essa semana. Na lista dos 50 melhores jogadores, nenhum atua no Brasil.

A criançada quer ganhar, e para ganhar a escolha é certa: Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique ou Manchester United. Se o cara é muito bom, ele é obrigado a escolher “no máximo” o Manchester City, para dar pressão. Os time Brasileiros não tem a menor chance de enfrentar mano a mano seus rivais “mais fortes”.

A principal consequência disso, é que os jovens acabam se interessando pelos times, acabam virando consumidores e torcedores dessas equipes, e acabam consumindo uniformes desses times, e até mesmo virando torcedores.

Como o Cruzeiro Esporte Clube pode ganhar nesse jogo?

Sempre se fala muito em internacionalização de marca, em buscar novos mercados, em vender o time lá fora. Bobagem. Infelizmente temos que ser realistas e aceitar que o máximo que os torcedores europeus e asiáticos terão pelo Cruzeiro, ou a grande maioria dos times brasileiros, é curiosidade. Não adianta pensarmos nos jogos para o mercado de lá. Temos que pensar muito mais no mercado daqui.

É obrigação dos clubes brasileiros forçarem ao máximo a integração da plataforma “Videogame” com a nossa realidade. Quer ver uma coisa idiota? O Campeonato Brasileiro não tem um símbolo oficial. Isso dificulta a “venda” do produto online. Outro fator, que parece bobagem, mas os estádios Brasileiros não estão nesses jogos.

Ao invés dos clubes estarem se matando por direitos desses jogos, deveriam abrir mão, em um primeiro momento dessa receita, e obrigar aos desenvolvedores a inclusão de seus estádios nos jogos. Isso com certeza melhoraria a experiência de se disputar o “Brasileirão”, no Fifa ou PES.

Claro, não vamos conseguir concorrer com Bayern, City ou United, mas podemos permitir aos torcedores daqui que levem a experiência de consumo da TV ou estádios para os jogos, invertendo o caminho feito hoje.

Videogame é o Rival

Outro aspecto importante a se levantar, é que além de grande aliado do Marketing, o Videogame é uma fonte de lazer, e acaba sendo assim, um concorrente do consumo de futebol. Assim como o Cinema, Teatro, Praia ou Sítio. Cabe ao clube trabalhar junto aos desenvolvedores uma forma de minimizar essa concorrência e atrito.

Como ganhar esse jogo? Simples, melhorando a experiência de consumo.

O Futebol no videogame não é igual ao futebol real. No Futebol não controlamos nada, somos passageiros, no máximo usamos nossa meia da sorte para garantir o resultado, mas até a meia da sorte as vezes falha. Então devemos apenas levar em consideração o lazer em si, pois em um caso, como o dos jogos, somos os protagonistas, e no outro como torcedores, somos apenas torcedores.

Para conquistar o torcedor, basta fazer com que a experiência de consumo do “jogo” seja mais proveitosa do que uma partida de videogame. Não existe mágica, é simples e fácil. Para “conquistar” o coração de um garoto de 6 anos de idade, basta que sua ida ao Mineirão seja uma experiência inesquecível. A vitória ou derrota são apenas um detalhe, nessa conta. As arquibancadas cheias, o bom uso da esplanada para ativações de patrocínios, foguetes, picolé, uma camiseta, boné, chaveiro ou bola comemorativa. Tudo isso prende o torcedor mirim.

E é nisso que o time tem que focar. É nisso que o time tem que trabalhar sem medir esforços

O estádio possui uma grande desvantagem ao videogame. Se o time perde ali, não se pode começar “outra Libertadores”, “outro Mundial”. Ali perdeu, acabou. Mas ali também é real. A comemoração é intensa, a vibração das arquibancadas, os cheiros, os sons, o doce sabor da vitória. Dessa forma a experiência é imersiva, e fantástica.

Se no joguinho o Cruzeiro não é melhor que o Barcelona, cabe ao clube transformar a ida ao estádio em algo muito mais legal do que uma partida de Fifa 2014.

Rodrigo Ranieri, 37 anos, nascido e criado na mesma “casa” que o Cruzeiro foi fundado, trabalha com Marketing Esportivo e é péssimo em videogames.


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Como virar esse jogo

Para que time você torce? Cada vez mais nas escolas, clubes e shoppings podemos ver crianças usando camisas do Barcelona, Milan, Real Madrid, Bayern, Chelsea e outros times. É fácil ir a um shopping de BH em um domingo à tarde e contabilizar que o número de camisas de times estrangeiros é tão grande ou maior que as camisas dos times “daqui”.

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