Os três patetas e o mundo paralelo do Cruzeiro

A imagem marcante da partida de ontem foi a do presidente Gilvan deixando o camarote do Mineirão. O mandatário celeste deixou o estádio antes do final do primeiro tempo, por medo, por covardia. Por isso, Gilvan não tem mais nenhuma moral para pedir adesão do sócio-torcedor e nem mesmo apoio da nossa torcida, pois nem ele próprio aguentou assistir a mais um vexame apresentado pelo time do Cruzeiro, ontem, diante do Palmeiras.

Quando o momento é ruim, de instabilidade, o torcedor carece de uma figura de autoridade que pegue o microfone e passe uma palavra de confiança para nós, torcedores. Mas Gilvan foge, como um covarde. Como o diabo foge da cruz, o presidente celeste foge da responsabilidade e mostra que não tem pulso firme para um cargo tão importante como o de presidente do Cruzeiro Esporte Clube. Sobrou para o Guilherme Mendes, que transmitiu o seu recado: “Não há pressão que vá tirar Luxemburgo do Cruzeiro neste momento!”.

O senhor, presidente, insiste em não escutar a voz da torcida, que ontem, no Mineirão, clamou pela saída do técnico Vanderlei Luxemburgo e até mesmo por sua saída, presidente, pois você não tem nos representado, sequer tem nos ouvido. Só gostaria de lembrar ao senhor, presidente, que o Cruzeiro é nosso e não há ninguém maior que nosso clube.

Você vai bancar a permanência de Luxemburgo, isso já está mais que evidente. Você bancou o Marcelo Oliveira e deu certo, ganhou dois títulos e protagonizou uma campanha maravilhosa. E você tem créditos por ter apostado em Marcelo Oliveira. Deve ser por isso que pensa em bancar Luxemburgo, pois você acredita que as coisas vão melhorar, que o Cruzeiro não será rebaixado e que em 2016 vocês criarão mais um projeto vencedor. Lamento dizer, embora a lógica seja pertinente, ela é falha por causa de um fato que muda tudo: para melhorar, não ser rebaixado e ter um futuro promissor é preciso trabalhar, treinar, dedicar-se. Marcelo fez isso, Luxemburgo e sua comissão técnica não têm feito. Os resultados estão aí para quem quiser ver.

Além disso, as atitudes e o discurso do nosso treinador são incoerentes. Escalou ontem um time que nunca treinou junto. Colocou em campo jogadores sem ritmo de jogo (Ceará e Bruno Rodrigo). Não tem escalado Arrascaeta e Gabriel Xavier por acreditar que eles não podem assumir a responsabilidade em um time como o Cruzeiro, mas colocou o garoto Allano em campo quando o desastre já estava feito. E de quebra, quando o time teve um zagueiro expulso, improvisou um volante na zaga e afrontou a inteligência de todos. Nem o treinador mais amador do mundo faria isso.

Na coletiva, o técnico Marcelo Oliveira demonstrou sua insatisfação em relação à queda de intensidade do Palmeiras no segundo tempo, mesmo após ter vencido o jogo. Viu falhas e exige melhora do time. Do outro lado, Luxemburgo disse que o Cruzeiro, “tirando as falhas individuais” (que, por sinal, devem ser corrigidas nos treinamentos) o time não foi mal. Patético. Bom, restou para os meninos da base, Vinícius e Alisson, assumirem a responsabilidade ao final da partida, já que os medalhões e o próprio presidente se esquivaram dos microfones.

Nada que eu disser aqui vai servir para alguma coisa. O presidente vai apostar mesmo em Luxemburgo. Gilvan acredita que o time é bom. Tinoco afirma que o trabalho da comissão técnica é maravilhoso. E Luxemburgo vê evolução num Cruzeiro que até agora não tem um 11 inicial definido. No mundo paralelo dos três patetas, tudo está indo muito bem.  Os conselheiros vão continuar tomando seu vinho e comendo seu macarrão. Dando risada de nós e aumentando o volume do som para não serem incomodados. Se o dinheiro do sócio-torcedor cair em dia, está tudo bem.

Quem sofre mesmo somos nós que, depois de mais uma derrota como a de ontem, temos dificuldades para dormir e em aceitar como todo o bom trabalho de 2013-2014 foi jogado no lixo (e mesmo assim parece que ninguém do Cruzeiro se importa). E ainda por cima temos que ouvir que somos culpados por “não apoiar” um time que sequer tem honrado a camisa.

Por: Pedro Henrique Campos