O sócio do Cruzeiro parou de crescer. Por quê?

Em 2015, o Cruzeiro é o 13° clube no ranking que mede as adesões de torcedores ao programa de sócio do futebol. A título de comparação, o Palmeiras, clube que mais ganhou novos filiados no ano, ganhou quase 30 mil novos sócios em menos de dois meses, assumindo de vez a segunda colocação ficando atrás apenas do Internacional.

O Cruzeiro agora é o quinto colocado com 67 mil e 747 sócios e o crescimento baixo nada mais é que um reflexo dos bastidores do clube. Se as perspectivas para o torcedor são de grandes jogos e muita competitividade, naturalmente ele tende a aderir o projeto. Entretanto, a verdade é que desde a saída de Mattos o torcedor celeste não se empolga como em 2013 e 2014, anos em que a instituição ganhou mais sócios.

Nem todas as reposições de saídas foram feitas à altura, e isso explica a estagnação da torcida. Atualmente, temos um time a ser construído e montado e isso gera muitas dúvidas, vem daí a dificuldade de se conseguir mais associados.

Não adianta driblar a realidade, tanto porque o raciocínio geral dos torcedores não chega a ser racional: hoje a perspectiva pró time é pior do que foi no início dos dois anos anteriores. Somos movidos pela magia do futebol e emoção, por isso jogadores consagrados e identificados com o clube são usados de forma estratégica para gerar ganhos também fora de campo. Entre as novidades, apenas Arrascaeta empolgou de verdade.

É sempre bom citar exemplos de gestão de times como o Real Madrid, time de futebol que mais fatura no mundo. Quando os espanhóis contratam um atleta não pensam somente no retorno técnico que o jogador dará em campo, eles analisam todas as variáveis.

No momento em que Lucas Silva estava sendo sondado, reportagem de um veículo espanhol já dizia que o Real via nele um grande potencial para ser ótima peça de marketing para o clube. “Isso porque além de ser bom jogador, Lucas também é bonito e tem um físico invejável”, diz a publicação.

Riscos que valeram à pena - Lucas Silva vendido ao Real MadridE Lucas mal chegou ao Real e teve tratamento de estrela. O clube, que tem os maiores astros do esporte mundial, fez vários posts nas redes sociais enaltecendo a chegada do ex-jogador cruzeirense, tratando-o realmente como um astro, uma estrela.

Algumas pessoas do Cruzeiro provavelmente conheciam este potencial de Lucas, mas nunca vimos nenhum tipo de campanha com o jogador, nunca chegaram a explorar em nada o potencial de marketing que o atleta tinha. Era visto, fora de campo, como mais um. Falta o pensamento estratégico à diretoria, são muito bons para fazer a coisa funcionar dentro de campo, mas pecam pelo amadorismo no lado de fora.

A torcida do Cruzeiro, gigante e fanática como poucas no Brasil, pode render muito mais dinheiro ao clube do que vem rendendo. Quando lançaram uma camisa bonita, foram mais de 20 mil vendidas em poucas horas. Clube deve e pode ousar mais para faturar muito com seus fãs, agindo de forma inovadora e criativa no mercado brasileiro.

Entendo muito bem as saídas dos nossos principais craques, mas nunca vou me sentir acomodado com esta situação de ter que vender os principais ídolos. O Cruzeiro é um gigante do futebol mundial e deve trabalhar para se tornar forte o bastante para ser capaz de reter seus astros.

Por: Thalvanes Guimarães