O gosto amargo da realidade

A derrota para o Botafogo representa muito mais do que (mais um) mau resultado em casa. É a prova incontestável de que não podemos criar expectativas para o Cruzeiro em 2012. 

Amigos leitores, escrevo minhas colunas sempre mostrando (ou tentando mostrar…) um lado mais “racional e equilibrado”, mas sou torcedor como vocês.

Por isso, depois que o Cruzeiro venceu duas partidas seguidas, destaquei que foram bons resultados, mas contra Atlético-GO e Náutico, times medianos para baixo, e não jogamos um futebol excepcional.

Entretanto, como qualquer torcedor, comecei a imaginar que este time poderia fazer algo mais nesta temporada. Até falei sobre isto na minha última coluna – quem sabe este ano seria igual em 2009 – , com uma arrancada que nos levou à Libertadores.

Então enfrentei fila para comprar ingresso, paguei 80 reais para ver o jogo junto com alguns amigos (a turma não se encontrava havia tempo, todo mundo casado…rsrsrs), tomei chope, comi churrasquinho e tropeiro no barzinho de um destes meus amigos, ali na esquina da Ismênia Tunes, bem no início da subida para o estádio.

Aí veio o jogo de ontem e, literalmente, manda tudo para o espaço, pra não dizer outro lugar…

E não adianta, pelo menos neste momento, usar esta coluna para reclamar do que aconteceu ontem, ou relatar muitas coisas que ouvi na torcida…como o juiz e sua péssima arbitragem, do Botafogo que teve três lances de perigo real e aproveitou todas elas.

Também não adianta – repito, nesta altura dos acontecimentos – reclamar de Fábio, que – na minha opinião e de outras pessoas – falhou, no mínimo, no lance do terceiro gol, ao sair totalmente errado no cruzamento. Ou cobrar melhor produtividade de Léo na lateral direita, ou de Éverton na lateral esquerda, de Leandro Guerreiro no meio de campo (todos eles vaiados por parte da torcida ontem), ou exigir aquele “algo mais” dos demais jogadores do elenco, muito menos da comissão técnica ou da diretoria.

A derrota de ontem mostrou, de forma escancarada e para quem quiser ver (se é que alguém da torcida ainda não tinha visto…), que “o Cruzeiro de 2012 é isto aí, meu irmão”. Um elenco enfraquecido, extremamente limitado, que não tem sequer jogadores para todas as posições, muito menos reservas para “mudar a história do jogo”.

Uma verdadeira “herança maldita”, culpa da “antiga” diretoria – “antiga” (entre aspas), porque o próprio Gilvan disse que já estava “cuidando” (também entre aspas) do Cruzeiro mesmo antes de tomar posse. E foi exatamente esta “herança maldita”, composta de Vágner Mancini e as “piadas de mau gosto” como Fábio Lopes, Amaral, Rudnei, Gílson, que nos fez perder o primeiro semestre deste ano e, pelo visto, perder o resto do ano também.

Para falar uma grande verdade, Celso Roth não é, e nunca será, meu treinador favorito, mas tenho absoluta certeza que ele está, literalmente, “tirando leite de pedra” com este elenco, arrancando um lugar do campeonato, com um time sem laterais, sem opções de criatividade (exceto Montillo) sem atacantes perigosos (exceto Borges).

Depois de tudo isto que vocês leram, devem estar se perguntando – a torcida deve perder a esperança? NÃO. Tudo pode acontecer, ainda faltam 16 rodadas, está difícil, mas se soubesse o que vai acontecer no futuro, jogaria na Mega Sena e ficaria rico.

E a torcida deve parar de exigir mudanças? NUNCA, JAMAIS. Torcedor do Cruzeiro tem que cobrar um time vencedor.

E para isto precisamos de planejamento. A diretoria precisa parar de fingir que é inteligente, pra não dizer outra coisa, e começar a trabalhar direito, projetando o ano de 2013 desde agora, não importa se vamos estar na Copa do Brasil ou na Copa Libertadores.

Tem que escolher AGORA a comissão técnica para a próxima temporada, e não importa se será Celso Roth, Adílson Batista, Muricy Ramalho, Abel Braga, tem que ser um técnico de primeira linha.

Decidindo esta parte, tem que mexer no elenco – não precisa ser agora, para não desmotivar ainda mais este bando de meninos mimados ricos que estão no nosso clube. Tem que fazer pelo menos uma lista da dispensa, deixar guardado até o final do ano, para então começar a limpeza e a buscar reforços de verdade.

E estou avisando isto porque, não custa lembrar, nossas grandes conquistas foram resultados de planejamento. O time da Tríplice Coroa de 2003 começou a ser montado no segundo semestre de 2002. A equipe campeã da Copa Libertadores de 1997 tinha como base os jogadores que estavam no Cruzeiro desde 1996 e que ganharam também a Copa do Brasil.

Resta à diretoria aprender a trabalhar direito. A verdade está aí, na cara. Só não vê quem é cego, ou um verdadeiro ignorante e anormal. Foto: VipComm

Abraços a todos.

Nota final 1: sobre o retorno do Talento Azul Alex em 2013, seria um excelente reforço, mas o próprio Gilvan disse que ele será contratado “dentro da nossa realidade”. Ou seja, ele já deu a desculpa antecipada, não vai vir.

Nota final 2: a punição do Cruzeiro, perda de 6 mandos de jogo, pode até ser reduzida num recurso pelos advogados, mas deve servir de reflexão. O torcedor pode reclamar, xingar, ofender, ameaçar, fazer pressão, tudo isto está permitido. Jogou objetos no campo, está errado.

Nesta quinta-feira, às 23 horas AO VIVO, o Guerreiros em Debate repercute tudo sobre mais uma partida do Cruzeiro. O programa vai ao ar na Rádio Guerreiro dos Gramados. Divulgue e não perca!

Lembrando que continua a campanha pelo jogo de despedida de Marcelo Ramos. Clique e assine a petição!