O Cruzeiro poderia seguir o exemplo de Coxa e Furacão?

Se você não tá por dentro da história, Atlético-PR e Coritiba não assinaram o contrato de cessão dos direitos de transmissão dos jogos do campeonato paranaense com a Rede Globo, visto que a emissora ofereceu um valor muito baixo. Total direito dos clubes de aceitarem (ou não) a proposta e total direito da TV de oferecer o que considera justo. Mas  a partir daí, os clubes resolveram transmitir o clássico entre eles (que seria disputado ontem, 19/02) através de Facebook e Youtube, gratuitamente, através de seus canais oficiais. Cada um faria sua transmissão com seus próprios narradores, repórteres, comentaristas…

O que poderia ser uma iniciativa excelente, que abre um precedente maravilhoso para o fim da subserviência atual, tornou-se um antro de ilegalidade. A Federação Paranaense de Futebol, por meio de seu presidente, ordenou ao árbitro da partida que não autorizasse o início do jogo. Vale ressaltar que os direitos de arena (que envolvem a transmissão do jogo) cabem ao clube. Portanto, nenhum presidente de federação tem o direito de vetar o acontecimento de um jogo. Mas isso aconteceu e ainda falaram que os clubes podem perder o jogo por WO (?).

A versão que o próprio árbitro da partida deu aos dirigentes da equipes é de que o jogo só transcorreria caso as câmeras fossem retiradas. O que não aconteceu. Ou seja, os dois times estavam perfilados pra jogar e não puderam cumprir suas obrigações desportivas porquê a federação e a Rede Globo não quiseram. Em entrevista após a polêmica decisão, o presidente da Federação Paranaense alegou que a partida não aconteceu porquê uma dúzia de profissionais não estavam devidamente credenciados junto à Federação e isso tem que acontecer com 48 horas de antecedência. Acredita quem quer (ou quem é muito ingênuo).

Não sei o que vocês pensam, mas eu acho péssimo esse monopólio nas transmissões. E convenhamos, se o clube não aceitou a proposta da Globo, ele é livre pra transmitir os jogos para quem quiser, pelo meio que julgar melhor. Mas a Federação não se importou com as milhares de pessoas que estavam no estádio para ver a partida, fez com que todo mundo voltasse pra casa insatisfeito por uma decisão arbitrária e irrelevante. Não entrarei no mérito do direito da TV, quando tem um acordo vigente, de botar os jogos em horários pornográficos para adequar o futebol a sua grade, que já é péssimo para nós, torcedores.

Apenas chamo a atenção para refletir sobre um jogo entre times que não tem contrato com a emissora, ser vetado porquê a federação não quer desagradar a dita cuja. Parabéns às diretorias pela firmeza na postura de ontem. Infelizmente, não sou mais ingênuo a ponto de acreditar que esse comportamento exemplar se sustentará por muito. Mas enquanto não houver gente com envergadura moral para peitar esses desmandos, seguiremos na merda, de pires na mão e nos degladiando por migalhas.

Mas agora que alguns clubes se rebelaram, de modo legal, ordeiro e inquestionável, porquê os outros não vão na onda? O Cruzeiro tem contratos em vigor com a emissora e que precisam ser cumpridos. Mas não seria o ideal começar a pensar em longo prazo, ter uma estrutura própria para transmitir as partidas e assim ser menos subserviente às necessidades da emissora de televisão? Seguir o exemplo de Coxa e Furacão para o futuro e lutar por cotas de TV mais justas, sem essa divisão que privilegia tanto a alguns clubes do eixo não seria o ideal para fortalecer o nosso futebol como um todo? Ficam aqui as minhas perguntas. E gostaria de ouvir a sua opinião.

Por: Emerson Araujo