O Cruzeiro não é incaível

Salve, Salve China Azul!

O Cruzeiro de 2016 é um retrato agravado do Cruzeiro de 2015.  A omissão e descompromisso da diretoria com o clube, sua história e sua torcida aliou-se à falta de qualidade do elenco, inferior ao que tínhamos na temporada passada. Não costumo me apegar a estatísticas e dados históricos. Acho que futebol se resolve dentro de campo e essas superstições devem ficar a cargo da imprensa, para que ilustrem suas reportagens. Mas um dado específico tem me chamado a atenção. O Cruzeiro tem feito, até então, seu pior início de Brasileirão no século XXI. Superando até mesmo, o desastroso ano de 2011. Para piorar, o time não vence dentro no Mineirão.

Já acompanhei e tenho acompanhado muitos torcedores se apegando a frase disseminada em 2011 após o 6×1: “O Cruzeiro é incaível”. A vocês, eu digo, PAREM! O Cruzeiro e nenhum clube de futebol no Mundo é incaível, independentemente de sua grandeza e história. Continuar proliferando esse discurso é alimentar em si mesmo um sentimento que cedo ou tarde cairá por terra, ou por divisão.

A crise de talentos e financeira que envolve o futebol Brasileiro e Mundial faz com que, todos os clubes estejam imersos a realidade do rebaixamento e, aqui, não é diferente. O Cruzeiro hoje enfrenta além de uma inexplicável crise financeira – um time que arrecada R$363,8 milhões de reais em uma temporada, não pode se queixar de problemas financeiros -, uma crise política muito grande, afinal, a linha sucessória de Gilvan de Pinho Tavares, oposição e situação, já se articulam nos bastidores. Se isto reflete ou não em campo, eu não sei. Mas é prejudicial ao clube, que fica a mercê de rixas políticas.

Outro agravante é a forma como vem trabalhando a diretoria do Cruzeiro tratando o clube como uma mesa de apostas e uma sala de promessas. Futebol não é assim. Se um erro bobo pode gerar um turbilhão de problemas, imaginem só o que não pode acontecer após duas temporadas seguidas errando?

Vocês que bradam a todos os cantos que o Cruzeiro é incaível precisam cair na real. O Cruzeiro em seis temporadas, contando de 2011 até 2016, só não correu riscos em 2013 e 2014. E não venham dar méritos somente ao Alexandre Mattos por isto. Grande parte das dívidas do clube hoje foram feitas sob a tutela dele. A situação descrita acima é grave, mas não tão grave quanto à tranquilidade aparentada pela diretoria e pelo presidente, que só sabem prometer reforços que deveriam ter vindo desde o início da temporada 2015. Ter de remontar um time durante a temporada é tarefa perigosa. O calendário do futebol Brasileiro é cruel demais para que se troque o motor com o carro em andamento.

Por mais que Paulo Bento venha fazendo um trabalho muito bom até aqui, ele não é capaz de contratar por Thiago Scuro e Bruno Vicintin, de comandar por Gilvan e jogar por Willian, Lucas, Bruno Rodrigo, Henrique e companhia. Falar que o Cruzeiro é incaível é utopia e burrice e não vai livrar o clube da degola. Muito pelo contrário, pode nos fazer caminhar rapidamente para ela.

O Cruzeiro, mesmo sendo um GIGANTE do futebol Brasileiro e Mundial, nunca foi e nunca será incaível, isso não depende de história, tradição, torcida e grandeza. Depende diretamente de boa gestão, planejamento e investimento. A vocês que pensam e acreditam que o Cruzeiro passará incólume por crises e incompetências, é melhor acordar e parar. Continuar alimentando isso só vai contribuir, ainda mais, para uma possível tragédia. Conselho de amigo, aviso de torcedor.

Por: Simon Nascimento