Meu sentimento não vai parar!

Oi, tudo bem?

Quero te fazer algumas perguntas simples: no que você pensa quando canta “jamais eu vou te abandonar, nas boas ou nas más”? Quando você fala que é Cruzeiro (não que torce, mas é) o que exatamente isso quer dizer? Já parou para pensar nisso?

Às vezes fazemos no automático, nem pensamos direito no que estamos dizendo ou cantando. É uma daquelas coisas que são o que são, e pronto. Mas hoje eu te convido a pensar um pouquinho nisso, no que implica essa declaração de amor tão repetida.

No dicionário, amor é algo abstrato, um “Sentimento de adoração em relação a algo específico (real ou abstrato); esse ideal de adoração”. Para Camões, “é um contentamento descontente/ é dor que desatina sem doer/ é um não querer mais que bem querer(…)”. Já Vinícius de Moraes diz o seguinte sobre o amor: “Quero vivê-lo em cada vão momento/ E em seu louvor hei de espalhar meu canto/ E rir meu riso e derramar meu pranto/ Ao seu pesar ou seu contentamento”.

Entre o dicionário e os poetas, eu me rendo à poesia, que não prega um amor feito somente de alegrias, mas que fala da união “nas boas ou nas más”. Isso te lembra alguma coisa?

E esse amor, sobre o qual Chico Buarque canta “dei pra sonhar/ fiz tantos desvarios/ rompi com o mundo/queimei meus navios/ me conta agora como hei de partir” é um caminho sem volta. Perceba que, se em momento algum é prometido um mar de rosas, tampouco se fala sobre abandonar o tal objeto de adoração. Até porque aí não se trata mais de amor. Podemos falar em paixão, fogo, empolgação, comportamento de massa. Mas amor… amor vai muito além.

E estamos falando de amor, quando dizemos “jamais eu vou te abandonar, nas boas ou nas más”. Quando falamos em “mais que torcer, ser Cruzeiro”, é porque o sentimento já tomou conta de qualquer dúvida que poderia existir.

Dificuldades existem e sempre vão existir. Críticas, cobranças, reclamações, insatisfações. Mas se é amor, é até o fim. Se for “jamais (volto ao dicionário: nunca, de jeito nenhum, em situação alguma) eu vou te abandonar”, é jamais mesmo.

Não estou dizendo fazer loucuras além da loucura de amar. Mas sim estar junto, de ser o ponto de segurança mesmo quando tudo em volta parece caminhar sem rumo. Em ter a certeza de que no fim de tudo nós estaremos ali.

Cada um faz o que pode, demonstra como sabe. O que importa é ter a certeza de que o sentimento nunca vai parar.

Por Natália Andrade