31 mar Jogos Históricos: Nascia um esquadrão (Atlético-MG 1 x 2 Cruzeiro – Campeonato Mineiro de 1959)


Cruzeiro e Atlético-MG se enfrentam neste domingo no Estádio Independência pela decisão do Campeonato Mineiro. E o torcedor pouco avisado talvez não saiba, mas foi no Estádio do Horto que a Raposa deu os primeiros passos para firmar o esquadrão multicampeão dos anos 60 e que dominou Minas Gerais logo no período de inauguração do Mineirão.

Construído para a Copa de 1950, o Independência, campo do extinto Sete de Setembro, passou a ser palco constante do principal clássico do Estado em 1954. Antes disso, o costume era que Cruzeiro e Atlético-MG se enfrentassem em seus respectivos domínios, nos campos do Barro Preto e de Lourdes, respectivamente, ou mesmo no Alameda, campo do América. Mas com o desenvolvimento do profissionalismo em Minas Gerais e o surgimento de um estádio de maiores proporções, como o Independência, os campos locais foram perdendo espaço e o Horto se consolidaria como a sede principal do confronto até a inauguração do Mineirão em 1965.

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Em consonância com o desejo da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), órgão que coordenava o futebol nacional antes do surgimento da CBF, em 1958 a Federação Mineira de Futebol criou o Campeonato Mineiro de Futebol. A meta era indicar o melhor clube do Estado para a disputa da recém-criada Taça Brasil, surgida em 1959 e que hoje ostenta o estatuto de primeiro Campeonato Brasileiro, assim como o antigo Campeonato da Cidade de Belo Horizonte, extinto para a criação do Estadual, indica os campeões mineiros desde 1915.

Em 1958, o primeiro campeão foi o Atlético-MG, enquanto o Cruzeiro não passou de um modesto terceiro lugar. A Raposa passaria a carregar um incômodo jejum de dois anos sem o título estadual, uma vez que a última conquista havia sido na polêmica edição de 1956, ano em que a FMF proclamou Atlético-MG e Cruzeiro como campeões.

Na edição de 1959, dezessete equipes disputaram a competição. Divididas em três grupos, Central, Sertão e Metalúrgica, as agremiações buscavam as onze vagas para a fase classificatória que seria disputada em pontos corridos. Na Zona Central, América, Atlético-MG, Cruzeiro, Renascença, Sete de Setembro e Uberaba disputavam quatro vagas. E a Raposa não teria um bom início, ficando apenas na terceira colocação.

Tudo parecia caminhar, portanto, para mais um ano de jejum. Nos confrontos contra o Atlético-MG na fase classificatória, uma vitória por 1×0 e uma derrota por 3×1 não deixavam claro ainda que o Cruzeiro teria ampla vantagem sobre o rival alvinegro na fase final da competição. Mas desde o início da etapa decisiva, a Raposa mostraria uma força maior que no começo do torneio.

Antes de novamente enfrentar o Atlético-MG, o time celeste fez 4×0 no Renascença, 5×2 no Meridional, 2×1 no Bela Vista. A sequência foi interrompida com derrotas para o Villa Nova, 1×0, e para o América, 2×1, as duas últimas no torneio. Afinal de contas, a nova série de vitórias, um 3×0 sobre o Guarani, outro sobre o Pedro Leopoldo, um 3×1 sobre o Democrata de Sete Lagoas e um 2×1 sobre a Siderúrgica inauguravam uma série invicta que duraria até o final e a conquista do título da competição.

O Atlético-MG, por sua vez, vinha com uma campanha tão consistente quanto. Apesar da derrota para o Pedro Leopoldo na abertura da fase final, o campeão da Zona Central emendou uma sequência que tinha vitórias sobre o Villa Nova, Bela Vista e Siderúrgica. No entanto, nos confrontos próximos ao contra o Cruzeiro, os alvinegros já tinham experimentado um empate com o Meridional, uma vitória apertada sobre o Renascença e nova derrota, dessa vez para o América. Goleadas sobre o Democrata de Sete Lagoas e o Guarani, no entanto, recolocaram o Atlético-MG na briga e transformaram aquele Cruzeiro e Atlético-MG em uma definição de quem seguiria como perseguidor mais próximo do Coelho.

No dia 24 de Janeiro de 1960, sim o Campeonato atravessava o ano, Cruzeiro e Atlético-MG fariam um confronto decisivo no Independência. E certamente as últimas goleadas atleticanas enchiam os alvinegros de confiança.

Com a bola rolando, a confiança aumentaria logo aos 25 minutos do primeiro tempo. O meia Tomazinho abriria o placar para o Atlético-MG e pareceria que a Raposa estava condenada a mais um ano de fila no estadual. E assim seguiu, até o intervalo de jogo.

Na segunda etapa, porém, veio a reação cinco estrelas. Emerson, que seria o vice-artilheiro celeste na competição, deixaria tudo igual aos cinco minutos. E a virada redentora viria aos 35 minutos com o meia Gradim. Consolidando a Raposa na briga pelo título com o América e, mais que isso, apresentando uma equipe que teria a hegemonia do Estado nos anos posteriores.

Naquele time, apareciam nomes como Procópio Cardoso e Hilton Oliveira, pilares do esquadrão dos anos 60. Em 1960 e 1961, a Raposa consolidaria o tricampeonato estadual. Do jejum de duas temporadas, o Cruzeiro se projetaria a partir deste triunfo para se consolidar como a maior potência do Estado.

Ficha Técnica: Atlético-MG 1 x 2 Cruzeiro

Motivo: 10ª rodada da fase final do Campeonato Mineiro de 1959.

Data: 24/01/1960

Local: Independência, Belo Horizonte (MG).

Atlético-MG: Valter; Benito e Anísio; William, Hilton Chaves e Laércio; Maurício, Tomazinho, Ubaldo, Beto Pretti e Mauricinho. Téc: Arthur Nequessaurt.

Cruzeiro: Genivaldo; Massinha e Procópio, Ilsinho, Amauri e Cléver; Gradim, Nelsinho, Dirceu, Emerson e Raimundinho. Téc: Niginho.

Gols: Tomazinho, aos 25 min do 1º tempo (CAM 1 x 0); Emerson aos 5 min (1×1) e Gradim aos 35 min (Cruzeiro 2×1) do 2º tempo.

Na foto: Procópio, Amauri, Emerson, Hilton Oliveira, Nilsinho, Massinha, Cléver, Nelsinho, Dirceu, Raimundinho e Genivaldo

Fonte: Almanaque do Cruzeiro

Por: João Henrique Castro

 

 


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