Fábio: ídolo sim, questionável também!

Salve, China Azul! Mais um papelão do Cruzeiro, hein? Dessa vez, na Arena Corinthians, o combinado celeste sofreu, mais uma vez, uma derrota acachapante. Com um sistema defensivo instável e inseguro, caberia ao nome mais importante e experiente o papel de assumir a bronca por esta fase ruim. Caberia. A má fase (no mínimo, questionável) também se aplica a alguém que para a maioria é incontestável, mas para outros se tornou dispensável, e não somente pelas suas atuações. Isto mesmo: esta coluna é sobre o goleiro Fábio.

Antes de mais nada, gostaria de esclarecer: não estou pedindo a cabeça dele. É inegável que Fábio é um ídolo do clube, e tem seu nome gravado na história como o jogador que por mais vezes defendeu o Maior de Minas. Não apenas isto, mas durante alguns anos foi considerado o melhor goleiro do país, sendo tratado como injustiçado por não ter oportunidades na seleção brasileira. Todavia, não podemos analisar o jogador com base no que já fez, e sim no que ele tem feito. Olhando por este lado, não é um absurdo dizer que a fase do arqueiro celeste é péssima.

Quando falamos de Fábio, os mais empolgados começam a citar as vezes em que ele salvou a equipe celeste em momentos complicados. Entre 2008 e 2010, o seu auge como goleiro, foram inúmeras as partidas onde não perdemos devido a intervenções do camisa 1. Porém, não dá para negar que, mesmo nesta época, nos jogos essencialmente primordiais, o goleiro foi apenas comum, não fazendo mais do que se espera.

Particularmente, não espero que um goleiro apenas defenda. Para que este se destaque, é necessário um algo a mais: aquela bola praticamente impossível de ser alcançada, aquele lance do adversário, onde você já considerava o gol uma certeza, e que por um milagre não entrou. É totalmente diferente o fato de ser um goleiro bom ou ser um goleiro decisivo, excepcional. Fábio foi excepcional em raros momentos, mas foi apenas bom em outros (em sua maioria, em momentos decisivos). Não há nenhuma falha clamorosa, não há nenhum erro fatal. Mas, na mesma proporção, também não há aquela defesa que vai ficar para a história como um dos pontos chaves da partida. Citando um exemplo do clube: a Libertadores de 1997 não ficou marcada apenas pelo gol de Elivélton, mas também pelo milagre de Dida, em uma sequência de defesas espetacular; não bastasse a dificuldade de pegar a falta, ainda se recompôs a tempo do rebote, em um momento crucial daquela decisão contra o Sporting Cristal.

De três a quatro anos pra cá, todavia, até seus momentos excepcionais têm ficado cada vez mais raros. Salvo algumas exceções, são poucos os jogos onde conseguimos segurar algum resultado devido a alguma intervenção de Fábio. Suas antigas deficiências, bola cruzada na área e posicionamento em cobrança de falta, ficaram ainda mais visíveis. E, ainda assim, o arqueiro continuou inquestionável. Nas campanhas do bicampeonato brasileiro, ele foi um mero coadjuvante. Claro, ele mereceu levar as taças pelo seu histórico, por ser um ídolo do clube; todavia, ele não estava ligado diretamente à responsabilidade deste feito.

Faltando pouco mais de seis meses para o final do seu contrato, a renovação continua emperrada. Alguns citam a diferença entre o que quer receber o jogador, e quanto pode pagar o clube. Se especula que a conversa esteja em valores entre R$ 700 mil e R$ 900 mil reais mensais para que haja acordo; um valor fora da realidade de qualquer clube brasileiro. E seria um enorme tiro no pé do próprio Fábio. Em nenhum outro lugar ele será ídolo incontestável, como ele é aqui. Nenhuma outra torcida vai ter a mesma paciência que a torcida celeste tem. E se a forma física dele não for a ideal, como atualmente, correrá um sério risco de não ser titular, dependendo das pessoas com as quais ele irá trabalhar.

Não questiono a sua identificação com a torcida, questiono o seu rendimento em campo. Todo jogador que se dispõe a vestir a camisa de um grande clube como o Cruzeiro deve fazê-lo com o melhor que tem. Fábio não está em seu maior nível tecnicamente e, ao que parece, fisicamente. Não seria melhor começar a repensar a prioridade desta renovação, antes de decidir pagar o que não pode?

Por: Pedro Henrique Paraíso