Empolgou?

Empolgou?

Salve, China Azul!

Fazia tempo, hein? Há muito não víamos o Cruzeiro atuando com tanta autoridade, vencendo de forma justa e inapelável, com direito a espetáculo. A goleada aplicada em cima do Botafogo nos coloca em uma excepcional posição na Copa do Brasil, com um pé na próxima fase. Além disso, as recentes exibições da equipe nos dão aquele fio de esperança: a temporada de 2016 ainda não está totalmente perdida.

Um primeiro tempo com dificuldades, principalmente na marcação. O Cruzeiro não se encontrava e sofreu com a velocidade do ataque adversário; encaixar um bom contra-ataque estava complicado. No segundo tempo, tudo mudou de figura. As mudanças de Mano Menezes deram certo, e os gols apareceram aos montes. Aparições excepcionais de Ramón Ábila, que marcou dois gols, de Robinho, que marcou um gol e participou de outro e Arrascaeta, um verdadeiro maestro, organizando a equipe com velocidade e intensidade.

A apresentação de ontem, somada às recentes atuações celestes, trazem o Cruzeiro para um outro patamar. Aquela situação de um mês atrás, com a equipe afundada na zona de rebaixamento, parece muito distante. O futebol apresentado tem a assinatura de Mano Menezes: posse de bola efetiva, solidez defensiva, equipe bem postada com linhas muito próximas, velocidade nos ataques e contra-ataques. Além disso, Manoel voltou trazendo mais segurança à defesa celeste e passamos a contar com um centroavante que realmente faz gol (já são 8 em 10 partidas).

Todavia, o caminho a percorrer ainda é longo. A situação no Campeonato Brasileiro ainda é bastante desconfortável e a Copa do Brasil, por ser uma competição no formato mata-mata, se torna completamente imprevisível – uma noite ruim e tudo vai pelos ares. As perspectivas nos animam, mas é bom manter os pés no chão. As recentes vitórias e atuações devem ser comemoradas, mas a cada início de uma nova partida, tudo recomeça do zero novamente. Caminhando assim, jogo a jogo, de 90 em 90 minutos, podemos ir muito longe.

O que temos certeza, nesta altura do campeonato, é que 2016 ainda não acabou. Um ano que parecia fadado ao fracasso, principalmente pelas incontáveis burradas da diretoria celeste, pode se tornar em um épico improvável. Graças à torcida, que comprou a briga da equipe, mesmo na fase difícil; graças a Mano, que tornou este elenco altamente competitivo; graças ao elenco, que entendeu e assimilou o modo de trabalhar do treinador de forma rápida e brilhante.

É difícil não empolgar? É. Mas é melhor não empolgar.

Foto: Alexandre Loureiro/Light Press/Cruzeiro

 

Por: Pedro Henrique Paraíso