E se o Fábio não defende aquele chute do Guerrero?

Esta foi a pergunta que li em um grupo de torcedores do Cruzeiro no Facebook. Se aquele chute do Guerrero entra e o Flamengo vence a Copa do Brasil, nós torcedores estaríamos hoje lamentando a possível saída de Mano Menezes e todo o departamento de futebol? Acredito que não. Até porquê a maioria da torcida queria a cabeça do nosso treinador há alguns meses, quando perdemos a final do Campeonato Mineiro e fomos também eliminados da Sulamericana pelo pequeno Nacional, do Paraguai.

Mas isso não significa que o trabalho de Mano Menezes seja ruim. Muito pelo contrário. O grande ponto é que a metodologia de trabalho dele acaba desagradando boa parte da torcida do Cruzeiro, que gostaria de ver um futebol mais ofensivo e propositivo. Isso é um fato, assim como também é fato que para se ganhar um torneio de mata-mata, jogar de peito aberto dificilmente é a melhor estratégia. Devemos lembrar que o nosso Cruzeiro, tradicionalmente conhecido como um clube copeiro, ficou 14 anos sem levantar uma taça em torneio eliminatório. E isso nos incomodava muito.

Na minha visão, fazer esse exercício de SE no futebol não agrega nada. Até porquê os fatos é que mudam tudo. E se quiserem falar de SE, se acontecesse uma coisinha diferente em 2009 éramos tri da América. Poderíamos ter ganho o Brasileirão 2010 e a Copa do Brasil 2014 também. E assim em tantos outros momentos. Podemos gostar do Mano ou não, mas o fato é que o trabalho dele deu resultado. E acredito que a presença dele seria um trunfo para buscar o título da Libertadores em 2018. O gaúcho tradicionalmente consegue montar bons times com o passar dos anos, foi assim no Grêmio e no Corinthians, quando teve continuidade. Se for embora, paciência. Deixou seu nome na história.

Mas se for para trocar o comando, que seja realmente em dezembro. Para que o próximo treinador tenha tempo para conhecer os jogadores enquanto disputa o irrelevante estadual. E que não negligenciem a nossa base. Talvez o grande fruto da atual diretoria seja o uso racional da nossa categoria de base, com uma média de 4 a 5 jogadores ascendendo ao time de cima todo ano. E que a manutenção da maioria dos direitos econômicos dos jovens atletas também seja a tônica da próxima gestão. Episódios como a venda do Lucas Silva, onde o Cruzeiro tinha 10% dos direitos não podem mais acontecer.

Por fim, uma reflexão a quem diz que o Cruzeiro não venceu a Copa do Brasil com autoridade. Não se ganha mata-mata da mesma forma que se faz em pontos corridos e isso tá muito claro. Todo time passa por dificuldades na campanha, podem observar isso por todos os títulos do tipo que ganhamos, até mesmo no estelar elenco de 2003. O mote do torneio é justamente esse, superação. Portanto, vamos valorizar a nossa conquista e todos os profissionais que a conseguiram. Foi épico.

Futebol profissional não é fácil de se fazer, e repor bem essa provável debandada de diretoria e comissão técnica será muito complicado. Não nos enganemos, o início de 2015 foi o grande responsável por dois anos horríveis, justamente pelo clube não ter critério nas contratações, ter apostado muito mal em diversos nomes (em campo e fora dele) e a grande responsabilidade é de Gilvan, que se aliou aos “pouco competentes na função” Valdir Barbosa e Benecy Queiroz como diretores de futebol. O resultado? Contratações injustificáveis, trocas de comissão técnica, reformulações e dívidas não pagas, como o caso Ábila.

Um bom gestor não é aquele que entende de tudo. Mas o que tem a humildade para delegar funções e sabe se cercar das pessoas competentes para o trabalho. Com o questionável Itair Machado, Wagner Pires de Sá não parece estar indo num bom caminho. Já com Marco Antônio Lage, a coisa muda de figura, por ser um cara notoriamente competente em sua área de atuação. Em um clube tão pouco democrático como o Cruzeiro, não sei até que ponto nós, meros torcedores, podemos fazer algo para interferir nas decisões. Queria muito que tivéssemos mais voz, porém nossos protestos raramente são efetivos. Mas deixar de lutar nunca será uma opção. O Cruzeiro é maior que todos.

Por: Emerson Araujo