Diário de Bordo: Check-out – últimos dias no Paraguai.

Que viagem! Muitas surpresas, emoções e, também, dificuldades que foram superadas no Paraguai. Mas, foi uma experiência de vida e tanto! Por isso, no segundo capítulo do Diário de Bordo 2011, contarei o que aconteceu comigo entre a quarta-feira (30/03) e a quinta-feira (31/03).Vou contar TUDO, pois, só aqui, no Guerreiro dos Gramados, você fica por dentro dos bastidores das viagens que fazemos pela América do Sul, dos detalhes dos pré e pós-jogos e muito mais. No caso dessa viagem ao Paraguai, saberá o que aconteceu com os torcedores que estiveram presentes no “Defensores Del Chaco”. Leia.

Por volta das 18h, saí do Hotel Internacional, em Assunção, e segui em direção ao estádio Defensores Del Chaco, onde foi realizada a partida. A movimentação das torcidas, tanto do Guaraní como do Cruzeiro, no local do jogo, foi muito pequena. Para se ter uma idéia, às 20h (fuso horário de Assunção é o mesmo que o horário de Brasília), ainda não era possível comprar ingresso para ver Guaraní x Cruzeiro. A desorganização era tanta (qualquer semelhança com o futebol brasileiro é mera coincidência), que nenhum funcionário da Associação Paraguaia de Futebol sabia dizer o motivo da falta de bilhetes. Faltava pouco mais de uma hora e meia para o início do jogo. Aproveitando esse tempo, conheci dois cruzeirenses que viajaram de moto (cinco dias de viagem) até o Paraguai, só para verem o jogo. Até achei que eram integrantes da “Motozeiros”, torcida que costuma viajar de motocicleta para ver o Cruzeiro jogar, mas, dessa vez, não era. Que raça!

Entrada dos torcedores no estádio

O relógio já marcava mais de oito da noite, quando o estádio começou a receber os primeiros torcedores. O público foi muito pequeno. Para ser sincero, um dos menores (se não o menor) que já vi em todos os tempos na Libertadores. Pelo menos, havia mais cruzeirenses do que torcedores locais. Isso, vale destacar. E, por isso, os celestes fizeram valer de sua maioria. Durante todo o jogo, cantaram mais alto o hino azul estrelado, que ecoou, mais uma vez, pelo longínquo céu paraguaio. O pavilhão celeste brilhou em terras estrangeiras e manteve o tabu. Nunca perdeu para um time paraguaio, em se tratando de jogos pela Libertadores.

Apesar de estarem em menor número, os torcedores do Guaraní também soltaram a voz. Cantaram, pularam e mostraram certa esperteza. Não sei como conseguiram, mas, bem de “mansinho”, alguns integrantes da “hincha” (termo em castelhano utilizado para designar torcedores) invadiram o lado azul celeste e “roubaram” uma bandeira da torcida cruzeirense. Foi em uma fração de segundos. Quando o “ladrãozinho” foi visto, já estava com a bandeira na mão, correndo que nem um louco. Isso deu uma confusão. A polícia local se mobilizou, tomou faixas da torcida do Guaraní. Mas, mesmo assim, a bandeira cruzeirense não apareceu.

Policiais corruptos

Essa “raça” é que nem formiga. Existe em qualquer lugar. No Defensores Del Chaco, também existe restrição quanto ao consumo de bebidas alcoólicas nos arredores do estádio. E o mais interessante: a polícia usa bafômetro nos torcedores que estão a pé. Dá pra acreditar? Não sei dizer nada sobre a eficácia desta “lei” e sua aplicabilidade, no Paraguai, mas fiquei impressionado. Bafômetro em quem está a pé! Que maluquice. O torcedor cruzeirense que tentava tomar cerveja, na calçada em frente ao estádio, era abordado pela polícia e recebia instruções. Mas, como em todo e qualquer local, o brasileiro dá um jeitinho para tudo, arrumou uma casa que ficava bem próxima do campo, onde vendia cerveja. Dessa forma, muitos torcedores compravam a bebida lá.

Nas arquibancadas, também era proibido o consumo de álcool. Mas, os cruzeirenses conseguiam tomar, vez ou outra, a famosa cervejinha. Sabe como? Pagando os próprios policiais, que eram aqueles que buscavam as bebidas e deixavam os torcedores beberem a vontade. Policial garçom, que não cobra 10%? Só no Paraguai! Duas latinhas por R$10. É a famosa propina! Não vou entrar na questão se os brasileiros estavam certos ou não (em pagar propina), só estou mostrando o que acontece nos bastidores de um jogo pela Libertadores.

Receber em Real, Dólar ou qualquer moeda que não seja o Guarani (dinheiro local) é lucro pro cidadão paraguaio. Um Real vale 2400 Guaranis. Um Dólar, pouco mais de nove mil Guaranis. O dinheiro paraguaio não vale NADA! O povo fica louco para receber moeda estrangeira. E aí, a corrupção come solta. Os próprios policiais ofereceram o serviço. “Bacana, né?” (ironia). PM Delivery de cerveja.

Voltando para o Brasil

Logo após a partida, já comecei a arquitetar a minha volta ao Brasil. De qualquer forma, teria que seguir até Foz do Iguaçu (cidade paranaense), que é de onde sairia o meu voo de retorno à BH. Inicialmente, iria pegar uma “carona” com a caravana da Motozeiros, em um ônibus que eles haviam fretado no Paraná. A minha intenção era gravar material para o site. Chegaria até Foz do Iguaçu, o meu primeiro destino, com essa galera. E, de quebra, ainda realizaria o meu trabalho. O problema é que o motorista, inicialmente, se mostrava irredutível em querer levar um passageiro diferente daqueles que já haviam sido transportados na ida. Quando ele estava quase convencido disso, de me levar, ocorreu uma pequena confusão entre ele e alguns integrantes de outra torcida organizada (que também queriam carona). Nada com o pessoal da Motozeiros, diga-se de passagem. Depois do “conflito”, viajar com eles ficou impossível. O motorista estava muito bravo e não me deu carona. Não adiantou insistir. Daí, tive que pegar um ônibus no terminal rodoviário de Assunção, (infelizmente, mais sete horas de viagem) e ir em direção à Foz. Saí de Assunção às 3 horas da manhã.

Depois de sacudir mais uma vez, por mais de sete horas, em um ônibus que não tinha boa condição, cheguei bem, graças a Deus, à Cidade do Leste (que faz fronteira com o Brasil). Nessa cidade, peguei o táxi do Sr. Marco (torcedor do Cerro Portenho) que me levou até Foz do Iguaçu. O relógio já marcava mais de meio-dia, quando cheguei na primeira cidade brasileira em que iria passar no meu trajeto de volta. “Descansei” um pouco no hotel e, por volta das 14h, segui para o aeroporto. Peguei o avião, que seguiu em direção ao Rio de Janeiro (primeira escala), às 16h20. Cheguei ao Rio às 18h30 e, enfim, embarquei para BH, às 19h. Que luta pra voltar! Praticamente acordado de oito da manhã do dia 30 até as sete da noite do dia 31. Isso sim é ser guerreiro!

Então, é isso, pessoal. É o fim da saga do Guerreiro dos Gramados no Paraguai. Nossa próxima parada, Buenos Aires/La Plata, para o jogo do Cruzeiro contra o Estudiantes. Embarque com o Guerreiro dos Gramados em mais uma viagem pela América.

Vou ficando por aqui. Clique aqui e confira mais fotos.

[TV GDG] Diário de Bordo: A fama do Cruzeiro na América do Sul.

Obrigado aos que participaram e colaboraram com o Diário de Bordo.

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Guerreiro dos Gramados. Nossa Torcida, Nossa Força!

Guilherme Guimarães (@guilhermepiu), é jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Natural de Belo Horizonte, realiza trabalhos na área do esporte desde 2005, quando começou a escrever sobre futebol amador no Jornal “O Tempo Contagem”. Já trabalhou no Jornal Super Notícia, na assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e teve matérias e fotografias publicadas em grandes jornais e revistas de Minas Gerais, como O Tempo, Hoje em Dia, Jornal da Cidade e Revista HIT. É colaborador do Guerreiro dos Gramados desde 2009. Siga o GDG no twitter: @gdosgramados.