Desespero, preguiça, incompetência ou limitação?

Após a decepcionante derrota no Mineirão para o Botafogo, por 2 a 0, o Cruzeiro precisa sacudir a poeira e se remontar rapidamente. E parte da estratégia para levantar a cabeça, deixar esse revés no passado e não se deixar abater, passa por compreender as razões do péssimo resultado. Afinal, o alvinegro carioca está longe de ser um grande time e, mesmo assim, soube neutralizar muito bem as principais armas celestes. Lendo crônicas sobre o jogo em diversos portais, encontrei quatro razões apontadas para o insucesso. Desespero, preguiça, incompetência e limitação. Será que faz sentido?

Antes de mais nada, resumir uma derrota a um único fator normalmente já está errado. O futebol é um esporte extremamente complexo e não pode ser tratado de forma tão rasa e superficial. O Cruzeiro vinha em um bom momento, com crescente em desempenho e resultados. O time não tinha novos desfalques a considerar e a torcida se fez presente em um número razoável. Todo o cenário era propício para o triunfo, os ingredientes estavam disponíveis e dispostos. Então porque a receita não deu certo? Simples. Porque futebol não tem receita.

Quando falam em desespero da equipe, isso contrastaria imediatamente com outra hipótese citada, a preguiça. O time entrou para jogar uma partida normal, não vi indícios de alterações comportamentais para nenhum dos dois lados. Desespero, só no final da partida, quando a derrota já era realidade e a irritação com a arbitragem tinha superado todos os limites. A hipótese da limitação, seja ela técnica ou física, tem um pouco mais de credibilidade. O nosso time não é nenhuma máquina (nenhum brasileiro é) que vai vencer o jogo quando quiser. E emplacar sequências invictas são raridade em um torneio tão equilibrado.

Mas sejamos razoáveis: o plantel do Botafogo não é mais limitado que o nosso? Obviamente que sim. A questão é que o time da estrela solitária veio para o jogo sem responsabilidade, buscando contra-ataques e se fechando muito bem. Times limitados quando precisam se abrir e tentar o gol desesperadamente, tomam vareio. Isso é uma verdade imutável do nosso esporte tão querido (aquele 5 a 2 que aplicamos no mesmo Botafogo é a prova cabal). E tudo o que foi dito remete a apenas uma realidade: a incompetência parou no Mineirão e tomou conta dos homens de azul. Com exceção de Rafael, sem culpa nos gols e que conseguiu uma grande defesa em chute de Neílton, todos os jogadores erraram em demasia. E a derrota foi justa.

O juiz era péssimo, não tinha critério e tudo mais. Mas suas decisões não influenciaram no resultado da partida. O gol mal anulado de Ábila, nos instantes finais, não mudaria a pontuação efetivamente. E era um lance complicado, pois Lucas (nem vou me estender, merece um texto à parte) que estava impedido tentou ir na bola. Pelo ângulo do bandeira era impossível discernir quem tocou a pelota para as redes. Resumo da ópera: perdemos pelas falhas de comunicação e posicionamento dos defensores, somadas à inoperância dos homens de frente. Sem Arrascaeta e Àbila, é difícil pensar em vitória contra o São Paulo, no Morumbi. O que faz o clássico do próximo domingo ser um jogo de vida ou morte. E quando temos jogos decisivos contra o time de Vespasiano, seis sabem muito bem o que  pode acontecer.

Por: Emerson Araujo

(Foto: Yuri Edmundo/Light Press/Cruzeiro)