Foto: Roberto Custódio/Light Press/Cruzeiro

Desabafo de um Torcedor

Agradeço ao Guerreiro dos Gramados pelo espaço e pela oportunidade de poder falar abertamente aos torcedores Cruzeirenses. O motivo de estar escrevendo isso se deve à publicação do colunista Álvaro Júnior (“Obrigado Alex, de verdade”). Como pude notar, essa não é a primeira vez que este faz publicações contestáveis. Ao acessar a página Guerreiro Dos Gramados no Facebook, me deparei de cara com um pedido de “não leia apenas o título”, o que já me despertou um motivo de desconfiança, e termina falando em gratidão, e que os leitores se surpreenderiam. Fato é que fiquei surpreso logo na introdução do colunista. Vamos ao texto por partes:

“Muitas pessoas lerão apenas o título e vão pensar que meu objetivo é “cornetar” o menino Alex, não é. Alex, na verdade, nos fez um favor”.

Inicialmente, a grande maioria dos torcedores celestes e a própria mídia julgavam a Copa da Primeira Liga como Copa Ninguém Liga. Isso está mais do que provado que não, até pela repercussão dessa derrota, no meu ponto de vista, vexatória. Logicamente, quando o time passa por esse tipo de situação, a torcida pega no pé de alguns atletas que não tem o rendimento esperado. Este é o caso do Lennon, do Bryan, do Léo, do Élber, e agora, do Alex. Fato é que este nos prova a cada dia que não tem condições de vestir a camisa do Cruzeiro. Pode ser que, depois de rodar por outros clubes, amadureça, e nos seja útil. Hoje não é. Mas não quero entrar no mérito dessa questão e desviar meu foco.

Dirigir-se à torcida do Cruzeiro e insinuar que o Alex, no jogo de domingo, nos fez um favor? Me desculpem, mas o colunista só pode estar de brincadeira. O único favor que ele nos fez foi provar mais uma vez que não tem competência para vestir uma camisa de tanto peso.

“Ao contribuir, segundo alguns, diretamente com a eliminação do Cruzeiro frente ao Londrina pela Primeira Liga, ele garantiu que enfrentemos o Flamengo na final da Copa do Brasil, apenas com foco nisso”.

Como podemos notar, o favor que ele insinua é o fato do Cruzeiro ter sido eliminado pelo Londrina, em um campeonato que teoricamente não valia nada, e que isso foi benéfico ao Cruzeiro, por poder focar apenas na final da Copa do Brasil. Ora, a decisão da Primeira Liga seria após o segundo jogo da final contra o Flamengo. O Cruzeiro perderia o foco por ter uma outra final? Se a Primeira Liga é tão desprezível, porque não ganhamos de todos os adversários? O clube simplesmente ignorou ganhar 3 milhões por nada? E os gastos com deslocamento, hospedagens?

“O fato de o outro finalista ser o Alt. Mineiro, nos traria uma certa “obrigação” de vitória, e isso, nunca é bom”.

É a parte mais deplorável da publicação, na minha opinião. Sendo Atlético-MG, sendo Flamengo, sendo o Barcelona, e sendo o Íbis, cruzeirense que é cruzeirense de verdade cobra obrigatoriamente vitórias até em campeonato de “par ou ímpar”. Existiria algum problema se essa final fosse contra o Atlético-MG? Em nenhum jogo é obrigação do Cruzeiro vencê-los, apenas neste? Sinceramente, não dá para entender. Suspeito que este colunista temia uma final contra o Atlético-MG, e hoje simplesmente desvia o foco para um campeonato inútil, e ainda ousa agradecer um jogador pelo péssimo serviço prestado. Se o campeonato é nivelado por baixo, não vale nada, é mais um motivo para Cruzeiro se sobressair e mostrar sua grandeza perante os pequenos. Mas o que se viu foi mais um vexame. Absurdamente vê-se ainda cruzeirenses encarando essa eliminação como algo normal e sentindo-se indiferentes.

“Enfrentar o Flamengo já é algo que vai exigir demais dos atletas de Mano Menezes, e cá entre nós, um possível título na Copa do Brasil traria muito mais prestígio e vantagens, como uma vaga direta na Libertadores do ano que vem, por exemplo. Isso sem falar de voltar a dividir com o Grêmio o posto de maior campeão do torneio”.

Onde na atual temporada, ou nas demais, os atletas não foram exigidos? É óbvio que a Copa do Brasil é o grande foco do ano, mas qual a relação disso um possível jogo contra o Atlético-MG? Porque seria tão ruim ao clube enfrentá-los, a obrigação de vencer, segundo as palavras de Álvaro Júnior?

“Os ventos então começam a soprar a nosso favor (risos). O Londrina consegue seu primeiro gol no que tem sido a maior deficiência do time de Mano: a bola aérea”.

Esse pensamento, essa análise, na ordem natural das coisas, é de qualquer atleticano que imagina “o Londrina poderia ganhar esse jogo”, temendo enfrentar o gigante Cruzeiro na final. Mas como consta na publicação, há um tom de “comemoração” ao analisar o primeiro gol do time paranaense. Não se trata de uma ironia, pois o mesmo afirmaria adiante que, naquele momento, seria irônico.

“Como disse no início, se realmente precisamos responsabilizar Alex por algo, que seja por nos dar condições de focar apenas na final que importa, a da Copa do Brasil”.

E para finalizar seu texto, o colunista afirma que a única final que importa é a Copa do Brasil. E a honra, a vergonha na cara, por ter sido eliminado por um time como o Londrina (com o devido respeito)? Isso fica em segundo plano? Não importa perder campeonatos desprezíveis? Não importa passar vexames como esse? Que saudade de torcedores que iam ao estádio cantar, o torcedor apaixonado que honrava a camisa 5 estrelas que vestia! O torcedor que xingava o juiz e cobrava por títulos. O que vemos hoje é uma torcida acomodada, acostumando-se com vexames.

Sinceramente, não consigo entender como um portal íntegro torna público tamanha bizarrice. Entendo e respeito a liberdade de expressão, mas cobro também respeito aos torcedores do Cruzeiro que não compactuam com esse tipo de manifestação, ainda mais vindo de um canal que representa a torcida azul celeste.

Agradeço o espaço e a oportunidade de poder comentar sobre mais uma das publicações questionáveis do colunista Álvaro Júnior utilizando a página, o Twitter e o site do Guerreiro dos Gramados. Saudações à China Azul, e que quinta-feira nossos guerreiros honrem essa camisa vitoriosa e voltem dessa batalha com um resultado favorável.

Foto: Roberto Custódio/Light Press/Cruzeiro

Por: Edgar Henrique Davin