Cruzeiro em uma nova era

O melhor time da era Palestra foi o do ano de 1928. O esquadrão era formado por alguns jogadores do futebol paulista: Osti, Morganti e Carazo (titulares) mais Gutierrez e Moragantinho. Ao lado deles estavam Geraldo, Nereu, Rizzo, Nininho, Bengala, Piorra e Armandinho. Esse foi um dos times mais ofensivos e bem armados da fase amadora do Cruzeiro.

No Campeonato Mineiro daquele ano equipe marcou 85 gols em 13 partidas (média de 6,5 por jogo). O placar mais elástico da história do campeonato e do próprio clube ocorreu em uma partida contra o Alves Nogueira, de Sabará. O jogo terminou em 14 x 0 para os palestrinos, com o ponta-de-lança Ninão marcando dez gols e até hoje é o jogador com amior número de gols em uma partida do Campeonato Mineiro. Ninão marcou 43 gols no torneio e também é o maior artilheiro do campeonato em todos os tempos.

O time conquistou os torneios de 29 e 30 de forma invicta, feito inédito até então. O presidente da Liga Mineira e também do rival alvinegro se negou a entregar a taça do campeonato de 1930 para o Palestra, simbolizando o primeiro tricampeonato mineiro. A equipe palestrina colocou então na vitrine da sua sede os dizeres: “Palestra 5, Athletico 2”, se referindo, ironicamente, a goleada do campeonato passado.

Os primeiros brasileiros contratados pelo futebol europeu foram Nininho e Ninão, comprados pela Lazio, da Itália. O time se desmanchou naquele ano de 1931. Foram embora jogadores importantes, como o atacante Armandinho e os zagueiros Bento e Pires.

O futebol na capital não progredia e a grande maioria dos clubes eram desorganizados. O público comparecia mesmo apenas em clássicos que envolviam os três maiores de Belo Horizonte mais o Villa Nova. Dessa forma, em 1933, Palestra, Villa, Siderúrgica e Atlético aderiram ao profissionalismo e criaram a Associação Mineira de Esportes.

Em 1935 surgiu um movimento denominado de “Ala Renovadora”, que pedia a mudança de nome do clube, pois as referências italianas afastavam torcedores, porque de certa forma lembravam o regime fascista de Mussolini. O projeto, porém, não seguiu, rejeitado por um pequeno, mas importante grupo.

O orgulho do estado em 1936 foi Niginho, ídolo da nação palestrina, convocado para defender a Seleção no Campeonato Sul-Americano, hoje Copa América. Ele foi o primeiro jogador de Minas Gerais a ser chamado para defender a amarelinha.

Em janeiro de 1942 o Brasil declarou guerra aos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão). O clube, portanto, deve que mudar o nome graças a um decreto de Getúlio Vargas que proibia o uso de nomes que se referiam aos inimigos da nação. O nome escolhido foi Palestra Mineiro.

No mês de outubro, o então presidente Cyro Pony sugere nova alteração no nome e convoca o conselho. De forma arbitraria muda o nome para Ypiranga. No dia 7 daquele mês o conselho aprovava todas as mudanças, com a exceção do nome. A sugestão escolhida foi a do ex-presidente Oswaldo Pinto Coelho: Cruzeiro Esporte Clube, para homenagear o símbolo máximo da pátria, o Cruzeiro do Sul, além de mudar as cores do clube para azul e branco.

Entre 1943 e 1945 o Cruzeiro conquistou mais um tricampeonato. Além disso, reformou o estádio, que receberia o nome de Juscelino Kubitschek, governador do estado e futuro presidente do Brasil. Construiu uma arquibancada coberta e mudou a posição do gramado. Tantas obras causaram uma despesa muito grande e o clube foi obrigado a viver em um regime semi-amador que se iniciou em 1952, ano que marcou a saída de praticamente todo o plantel, promovendo os juvenis. Um período de dificuldades se aproximava.