Até breve: capitão, “El Mago”, Ídolo

Em tempo de agradecer. Acredito que não exista outra palavra que melhor expresse o sentimento da torcida do Sada Cruzeiro Vôlei, neste momento, que não seja gratidão. O que William fez pelo time celeste é algo que não se pode, jamais, esquecer ou menosprezar. Levantador, capitão, mágico, ídolo foram algumas de suas funções na equipe azul.

William realizou no último dia 7, vestindo a camisa 7 e em sua sétima temporada, a última partida vestindo a camisa estrelada. Conquistou o pentacampeonato da Superliga Masculina de Vôlei diante de quase 14 mil apaixonados pelo esporte. Foi uma despedida à altura de um atleta como ele. O Mineirinho foi o palco escolhido. Mas agora William retornará para sua cidade natal, São Paulo, e terá, também, a função de suprir a saída de Bruninho. O filho de Bernardinho retornará ao voleibol italiano para defender o Modena.

“Em busca de um novo desafio e por estar ainda mais próximo da minha família, deixo talvez, o maior time de vôlei de todos os tempos, mas com a certeza de dever cumprido. Anos de dedicação, comprometimento e muita, mas muita vontade. O destino agora é São Paulo, o Sesi”, trecho da despedida do atleta.

Há sete anos, Mago – atleta do Bolívar, decidiu voltar ao Brasil e se arriscar em uma estrutura ainda em formação no Sada Cruzeiro. Escolheu deixar a Argentina e a possibilidade de se naturalizar. Chegou à equipe celeste para a temporada 2010/2011. A partir daí, estava montado o time mais vitorioso da história do voleibol nacional. É, inquestionavelmente, um dos principais jogadores de vôlei do país em atuação. Aos poucos foi conquistando seu espaço também na seleção brasileira. O que causa ainda mais orgulho aos cruzeirenses. Foi Campeão Olímpico na Rio 2016, além de conquistar o mundo por três vezes – Tricampeão Mundial de Clubes (2016, 2015 e 2013), ser escolhido MVP em vários anos, entre outras muitas conquistas alcançadas. William sempre diz que “para se tornar ídolo é necessário conquistar títulos”, sem dúvida nenhuma ele pode desfrutar deste atributo adquirido em sua passagem pelo Sada Cruzeiro.

William levanta a taça de pentacampeão da Superliga Masculina de Vôlei 2017. Foto: Divulgação/Inovafoto/CBV

Assim como a saída de Wallace na temporada passada para o Funvic Taubaté, a ida de William para o Sesi também deixa tristeza. Não é fácil abrir mão de uma ídolo e que faz parte de uma equipe que trabalha junta à tanto tempo. William é importante para a equipe mineira não só por tudo que conquistou em premiações – ao todo 26 títulos e 30 finais em 33 competições disputadas no período, mas pela postura dentro e fora das quadras, principalmente diante dos assuntos relacionados às políticas do voleibol brasileiro. O esporte passa por mudanças e se faz necessário que jogadores, como ele, estejam engajados nessa luta.

Que ele vai fazer muita falta, todos nós sabemos. A equipe conseguiu se manter intacta por muito tempo, algo difícil de se conseguir devido a alguns fatores como o ranking dos atletas, aparecimento de propostas e visibilidade diante de tantas conquistas. A título de curiosidade, restam apenas dois remanescentes do primeiro título desta série de vitórias que se iniciou na temporada 2010/2011 – os atletas Serginho e Filipe.

O que podemos desejar é que as portas do Sada Cruzeiro e da capital mineira possam estar abertas ao retorno deste ídolo, já que se trata de um “até breve”. Esperamos que seja. Deixo aqui, em nome do site Guerreiro dos Gramados, a nossa gratidão.

Valeu William “El Mago” Arjona!!!

Por: Aline Reis
Foto: fanpage oficial do atleta.