Aristizábal e a quase demissão do Cruzeiro

Aristizábal e a quase demissão do Cruzeiro

Aristizábal foi contratado pelo Cruzeiro em 15 de janeiro de 2003, 13 dias depois de o Atlético confirmar interesse no jogador. Mais rápido, Zezé Perrella foi atrás do jogador, acertou salário e tempo de contrato e confirmou o nome como o segundo reforço do ataque para a temporada. Mota havia sido o primeiro.

Luxemburgo, que nunca havia trabalhado com o colombiano, comemorou:

Ele é um jogador que sabe atuar bem pelas laterais do campo e tem uma qualidade muito importante em atacantes, que é não desistir nunca da jogada. Incomoda muito a defesa adversária.

A apresentação do atacante aconteceu no dia 18 de janeiro, com direito a confissão, em português perfeito, de que defender a Raposa era um sonho:

Faz um ano que tentamos fechar essa negociação e somente agora foi possível. Sempre quis atuar no Cruzeiro, mas, infelizmente, não foi possível chegar a um acordo no ano passado.

Mas uma discussão com Luxemburgo, no treino no dia 12 de março, quase interrompeu precocemente a trajetória de Aristizábal no Cruzeiro. O colombiano não aceitou as ordens do treinador quanto ao seu posicionamento e movimentação em campo e retrucou. O tom da conversa se elevou a ponto de companheiros terem de intervir e pedir que “Ari” se calasse.

Irritado com a insubordinação do comandado, Luxemburgo o expulsou do treino. Jussiê assumiu a posição no time titular. Os que presenciaram o bate-boca não tinham dúvidas: o colombiano seria dispensado.

Ao final do treino, porém, a surpresa: Vanderlei, sempre implacável nesse tipo de situação, preferiu abrandar:

Ele disse que não dava para fazer direito o que eu estava pedindo. Já que é assim, decidi tirá-lo e botar outro para fazer. Mas não mandei o Ari embora. Quero apenas que ele se encaixe na filosofia profissional minha e do clube. Se for assim, ótimo. Caso contrário, ele que resolva a sua situação com a diretoria.

Era hora de ouvir, então, o que Aristizábal tinha a dizer. Para bem geral da nação celeste, o craque cafetero também adotou um tom conciliatório:

Não sou de bater boca. Aprendi com os meus pais a respeitar os mais velhos e a obedecer aos meus superiores. Vou ouvir a diretoria e procurar cumprir tudo o que ela e o técnico quiserem.

Da segunda chance ao alcance da condição de titular absoluto da equipe, foi um pulo.

Aristizábal não demorou para conquistar a China Azul. Nem o bravo comandante, que após ver o colombiano estraçalhar na vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba por 4 a 3, em 16 de abril, afirmou:

É um craque. E ainda me perguntam por que não o dispensei naquele episódio…

Por: Anderson Olivieri